O Operador Nacional do Sistema Elétrico (ONS) acionou, pela primeira vez, um plano emergencial criado para reduzir a geração de energia do país, devido ao excesso de oferta de eletricidade previsto para este domingo (7). A medida, inédita na história do setor elétrico brasileiro, foi anunciada no sábado (6) e reflete um cenário atípico de superávit de geração, impulsionado pela forte entrada de fontes renováveis, como solar e eólica, combinada com a redução da demanda em função do feriado prolongado.
O plano emergencial, cujos detalhes operacionais foram definidos em reunião extraordinária do ONS na última sexta-feira (5), prevê o corte seletivo de geração de usinas termelétricas e a redução temporária da produção de hidrelétricas em regiões com excesso de oferta. A decisão foi tomada após simulações indicarem que, sem a intervenção, o sistema poderia operar com níveis de frequência acima dos limites seguros, colocando em risco a estabilidade da rede elétrica nacional.
Panorama do setor elétrico e impactos
O cenário de excesso de geração é resultado de uma combinação de fatores estruturais e conjunturais. Nos últimos anos, o Brasil ampliou significativamente sua capacidade instalada de energia solar e eólica, que hoje representam cerca de 30% da matriz elétrica. Paralelamente, os reservatórios das hidrelétricas estão em níveis elevados devido às chuvas acima da média no primeiro semestre de 2026, enquanto a demanda industrial e comercial apresentou queda sazonal no feriado de Corpus Christi.
Especialistas do setor apontam que a situação evidencia a necessidade de modernização da infraestrutura de transmissão e de mecanismos de armazenamento de energia, como baterias em larga escala. O ONS informou que o plano emergencial será mantido enquanto persistirem as condições de superávit, e que novas reuniões estão agendadas para avaliar a evolução do quadro. A Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel) acompanha a situação e pode adotar medidas complementares, como a suspensão temporária de incentivos a novas usinas solares e eólicas em regiões com restrição de escoamento.
O episódio também reacende o debate sobre a reforma do setor elétrico, em tramitação no Congresso Nacional, que propõe a criação de um mercado de capacidade para remunerar usinas que garantam suprimento em momentos de escassez, mas que também pode incluir mecanismos para lidar com excessos de oferta. A Associação Brasileira de Energia Solar Fotovoltaica (Absolar) defende que a solução passa pelo fortalecimento da transmissão e pela expansão de sistemas de armazenamento, enquanto a Associação Brasileira de Grandes Consumidores de Energia (Abrace) alerta para o risco de aumento de custos para o consumidor caso medidas emergenciais se tornem frequentes.
A fonte original da informação é a Folha de S.Paulo, que publicou a notícia em 6 de junho de 2026, às 18h11, com base em comunicado oficial do ONS. O plano emergencial, embora inédito, é visto por analistas como um sinal de que o sistema elétrico brasileiro precisa se adaptar rapidamente à nova realidade de geração distribuída e variável, sob pena de enfrentar novos episódios de desequilíbrio entre oferta e demanda.
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