O Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (Gaeco) do Ministério Público de São Paulo deflagrou nesta terça-feira (7) a Operação Ar Frio para cumprir buscas contra dois ex-servidores da Prefeitura de São Paulo investigados por fraudes em licitações, que foram exonerados em março deste ano. A ação, que ocorre em meio a um cenário de crescente escrutínio sobre a gestão pública municipal, visa coletar documentos e apreender celulares em endereços ligados aos alvos na capital e na região metropolitana, aprofundando as investigações sobre irregularidades que teriam ocorrido entre 2022 e 2025.
Um dos ex-servidores atuava na Secretaria Municipal de Infraestrutura e Obras, enquanto o outro era coordenador de licitações da Secretaria Municipal das Subprefeituras. Segundo o Gaeco, eles teriam atuado para direcionar processos licitatórios em favor de empresas e grupos previamente ajustados, em troca de vantagem indevida. Nem a prefeitura nem as sedes das secretarias são alvo de buscas, o que indica que a investigação se concentra na conduta individual dos ex-servidores, sem apontar, por ora, envolvimento direto de órgãos públicos.
Denúncia e indícios de ocultação de patrimônio
O Ministério Público recebeu uma denúncia sobre o assunto em fevereiro, o que desencadeou a apuração. De acordo com os elementos reunidos até o momento, os valores obtidos pelos investigados seriam incompatíveis com os rendimentos formalmente declarados, havendo indícios de aquisição de imóveis, veículos e outros bens por meio de interpostas pessoas, o que, em tese, pode configurar também ocultação de patrimônio de origem ilícita. Os fatos estão sendo apurados à luz de condutas que, em tese, podem se amoldar aos crimes de corrupção, fraude em licitações e lavagem de capitais.
A operação ocorre em um contexto de ampliação da fiscalização sobre contratos públicos no estado de São Paulo, que já registrou outras ações recentes, como a Operação Gomorra, que afastou servidores em Campo Verde, e investigações sobre fraudes em contratos do São João no Recife. A Prefeitura de São Paulo, por sua vez, tem enfrentado questionamentos sobre transparência em licitações, como no caso do credenciamento do banco Digimais para consignado, alvo de ação do PSOL no MPF. A Operação Ar Frio reforça a necessidade de mecanismos de controle mais robustos para prevenir desvios que comprometem a confiança na gestão pública e o uso adequado dos recursos municipais.
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