A Polícia Federal (PF) deflagrou, nesta semana, uma operação para investigar fraudes em registros de Colecionador, Atirador e Caçador (CAC) e o comércio ilegal de armas em Minas Gerais. Os mandados foram cumpridos em Campina Verde, no Triângulo Mineiro, e apuram o uso de documentos falsos para obtenção de registros, além de possível atuação em uma rede clandestina de armamentos.
A investigação, conduzida pela PF em conjunto com a Polícia Civil e o Ministério Público Federal (MPF), teve como alvo principal um grupo suspeito de utilizar documentos falsos, como comprovantes de residência e declarações de idoneidade, para obter registros de CAC junto ao Exército Brasileiro. Os registros, que permitem a aquisição e posse de armas de fogo, teriam sido usados para desviar armamentos para o mercado ilegal.
Operação e mandados
Foram cumpridos 41 mandados de busca e apreensão em 10 estados brasileiros, incluindo Minas Gerais, São Paulo, Rio de Janeiro, Paraná, Santa Catarina, Rio Grande do Sul, Mato Grosso, Mato Grosso do Sul, Goiás e Distrito Federal. A ação, batizada de Operação Nacional Rastreio, também teve como foco a receptação de celulares roubados, mas a fraude em registros de CAC foi um dos eixos centrais da investigação.
Em Campina Verde, as equipes da PF realizaram buscas em residências e estabelecimentos comerciais, apreendendo documentos, computadores e armas de fogo. A suspeita é de que o grupo utilizava uma rede de laranjas para obter os registros, que depois eram vendidos a terceiros interessados em adquirir armas sem o devido controle legal.
Impacto e panorama político
A investigação ocorre em um contexto de aumento da fiscalização sobre o comércio de armas no Brasil, especialmente após a flexibilização das regras de posse e porte durante o governo anterior. A PF tem intensificado operações contra o desvio de armamentos, que muitas vezes abastecem facções criminosas e organizações ilegais.
O caso também levanta questionamentos sobre a eficácia dos controles do Exército Brasileiro sobre os registros de CAC, que já foram alvo de críticas por parte de especialistas em segurança pública. A operação em Minas Gerais é mais um capítulo de uma série de ações que buscam coibir a atuação de grupos que se aproveitam de brechas na legislação para lucrar com o comércio ilegal de armas.
As investigações continuam, e a PF não descarta novas fases da operação, que podem incluir a prisão de suspeitos e a identificação de outros envolvidos na rede clandestina de armamentos.
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