A Polícia Federal e a Controladoria-Geral da União deflagraram, nesta semana, a Operação Delivery no município de Murici, interior de Alagoas, para investigar um suposto esquema de corrupção e desvio de recursos federais destinados a obras públicas. Durante a ação, os agentes apreenderam um cofre contendo valores que somam R$ 178 mil, distribuídos em moedas nacional e estrangeiras — real, dólar, euro e libra.
A operação, que mobilizou equipes da PF e da CGU, cumpriu mandados de busca e apreensão em endereços ligados a suspeitos de envolvimento no esquema. As investigações apontam que os recursos desviados seriam oriundos de convênios federais firmados com a prefeitura de Murici para a realização de obras de infraestrutura, como pavimentação e saneamento. O montante apreendido, segundo a PF, é considerado um indício robusto de movimentação financeira ilícita, mas ainda será periciado para confirmar a origem e a destinação dos valores.
Panorama político e impacto regional
O caso ocorre em um contexto de crescente escrutínio sobre a gestão de recursos públicos em municípios alagoanos, especialmente após denúncias de irregularidades em contratos de obras. Murici, cidade com cerca de 28 mil habitantes, tem histórico de problemas na aplicação de verbas federais, o que levou a CGU a intensificar auditorias na região. A Operação Delivery é a mais recente de uma série de ações da PF e da CGU no estado, que já resultaram em prisões e afastamentos de gestores públicos nos últimos anos.
Os valores apreendidos — que incluem notas de real, dólar, euro e libra — chamam a atenção pela diversidade de moedas, sugerindo possível ocultação de patrimônio ou lavagem de dinheiro. A PF não descarta a participação de servidores públicos, empresários e intermediários no esquema, mas ainda não divulgou nomes de investigados ou possíveis indiciamentos. A operação recebeu o nome “Delivery” em referência à suposta logística de entrega de propinas e vantagens indevidas, que, segundo as investigações, ocorria de forma sistemática.
A CGU, em nota, informou que os recursos desviados seriam destinados a obras que, em muitos casos, não foram concluídas ou apresentaram superfaturamento. A prefeitura de Murici, por meio de sua assessoria, afirmou que colabora com as investigações e que instaurou uma sindicância interna para apurar os fatos. O Ministério Público Federal acompanha o caso e pode oferecer denúncias nos próximos meses.
Para especialistas em direito público, a apreensão de moedas estrangeiras em operações como essa é um indicativo de sofisticação do esquema, que pode envolver contas no exterior ou transferências internacionais. A Operação Delivery reforça a necessidade de transparência e controle social sobre o uso de verbas federais, especialmente em municípios de pequeno porte, onde a fiscalização é mais desafiadora.
Fonte: ver noticia original

