Operação desvenda esquema de chargeback que desviou R$ 1,5 milhão de cartões em Alagoas

A Polícia Civil de Alagoas detalhou nesta sexta-feira (26) como um grupo criminoso aplicava o chamado golpe do chargeback, desviando dinheiro de cartões de crédito e débito em Maceió e Rio Largo. A operação, que cumpriu 26 mandados de busca e apreensão, resultou no bloqueio judicial de R$ 1,5 milhão em bens e valores dos investigados, conforme informações da Delegacia de Crimes Cibernéticos.

O esquema, que vinha sendo monitorado há meses, envolvia a criação de falsas transações comerciais para solicitar estornos fraudulentos às administradoras de cartão. Segundo o delegado Carlos Alberto dos Santos, responsável pela investigação, o grupo utilizava dados de vítimas reais para simular compras e, em seguida, pedia o cancelamento, direcionando os valores para contas controladas pelos criminosos. “Eles se aproveitavam de brechas no sistema de chargeback, que é um mecanismo legítimo de proteção ao consumidor, para desviar recursos”, explicou.

Impacto financeiro e vítimas

O montante bloqueado pela Justiça, de R$ 1,5 milhão, representa apenas parte do prejuízo estimado, que pode ser maior. As investigações apontam que o grupo atuava desde 2023, lesando dezenas de consumidores e pequenos comerciantes na região metropolitana de Maceió. Muitas vítimas só perceberam o golpe ao verificar extratos bancários, quando valores já haviam sido desviados. A Federação do Comércio de Alagoas alertou que práticas como essa afetam a confiança no sistema de pagamentos eletrônicos, essencial para a economia local.

O delegado destacou que a operação contou com apoio da Secretaria de Segurança Pública e do Ministério Público Estadual, que colaboraram na análise de dados financeiros e na quebra de sigilos bancários. “Conseguimos rastrear o fluxo do dinheiro e identificar os principais articuladores, que agora terão seus bens indisponíveis”, afirmou.

Panorama político e segurança pública

O caso ocorre em meio a um debate nacional sobre o aumento de crimes cibernéticos e a necessidade de modernização das leis de proteção digital. Em Alagoas, o governo estadual tem investido em capacitação de delegacias especializadas, mas a falta de recursos ainda é um desafio. A operação desta sexta-feira é vista como um avanço, mas especialistas apontam que a prevenção exige maior cooperação entre bancos, administradoras de cartão e forças de segurança. O Conselho Nacional de Justiça já recomendou a criação de varas especializadas em crimes digitais para agilizar processos como este.

Os 26 mandados foram cumpridos em bairros de classe média de Maceió e em áreas comerciais de Rio Largo, onde os investigados mantinham supostas empresas de fachada. A polícia apreendeu computadores, celulares e documentos que serão periciados. Até o momento, nenhum suspeito foi preso, mas todos responderão em liberdade, enquanto a Justiça analisa o pedido de prisão preventiva. A investigação segue em sigilo para não comprometer novas fases da operação.

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