Uma operação do Ministério Público, deflagrada na manhã desta sexta-feira (19), investiga descontos irregulares na folha de pagamento de servidores do governo do Distrito Federal. Entre os alvos, estão o Banco de Brasília (BRB) — responsável pelos pagamentos —, a Secretaria de Economia do DF, o Instituto de Previdência dos Servidores do DF (Iprev), a empresa PicPay e a Associação dos Servidores Públicos do DF. A ação, que envolve também a Polícia Federal, representa um novo capítulo na investigação sobre o chamado esquema Banco Master, que já vinha sendo apurado em outras frentes.
De acordo com as investigações, o esquema consistia na realização de descontos indevidos nos contracheques dos servidores, sem autorização ou conhecimento dos mesmos, com valores sendo direcionados a entidades e empresas ligadas ao suposto esquema. O BRB, como banco pagador, teria falhado na fiscalização desses descontos, permitindo que as irregularidades se perpetuassem por meses. A Secretaria de Economia do DF é investigada por suposta omissão no controle dos repasses, enquanto o Iprev teria sido usado como canal para desviar recursos das previdências dos servidores.
Panorama político e institucional
A operação ocorre em um momento de tensão no cenário político do Distrito Federal, onde denúncias de corrupção em sistemas de previdência e folha de pagamento têm gerado desgaste para o governo local. O Banco de Brasília, controlado pelo governo do DF, já havia sido alvo de críticas por suposta leniência em processos de auditoria. A inclusão do PicPay — fintech que atua como intermediadora de pagamentos — amplia o alcance da investigação para o setor de tecnologia financeira, levantando questões sobre a regulação de empresas digitais em contratos públicos.
O Ministério Público informou que as apurações indicam um prejuízo milionário aos cofres públicos e aos servidores, que tiveram valores descontados sem contrapartida. A Associação dos Servidores Públicos do DF, por sua vez, nega envolvimento e afirma que colaborará com as investigações. Até o momento, não há mandados de prisão expedidos, mas buscas e apreensões foram realizadas em endereços ligados aos alvos.
A operação reforça a necessidade de maior transparência e controle sobre os sistemas de folha de pagamento e previdência no serviço público, especialmente em um contexto onde entidades de classe e instituições financeiras atuam em conjunto. O caso, que já é acompanhado por órgãos de controle federais, pode gerar desdobramentos em outros estados, onde esquemas similares são suspeitos de ocorrer.
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