A Polícia Federal deflagrou nesta quarta-feira (26) a Operação El Dorado, com o objetivo de desarticular um grupo criminoso suspeito de enviar mulheres brasileiras para a França, onde seriam submetidas à exploração sexual. A ação, que cumpre mandados em São Paulo, também resultou no bloqueio de até R$ 10 milhões em bens e valores dos investigados. A investigação teve início a partir de cooperação internacional com as autoridades francesas, que identificaram indícios do esquema em território europeu.
De acordo com a PF, o grupo atuava de forma estruturada, com recrutamento de vítimas em diferentes regiões do Brasil, especialmente em contextos de vulnerabilidade social. As mulheres eram atraídas com promessas de trabalho e melhores condições de vida na Europa, mas, ao chegarem à França, eram forçadas a se prostituir, tendo seus documentos retidos e sofrendo ameaças e violência.
As investigações apontam que a organização tinha ramificações tanto no Brasil quanto na França, com integrantes responsáveis pelo aliciamento, transporte, acolhimento e exploração das vítimas. A cooperação entre as polícias dos dois países foi fundamental para mapear a atuação do grupo e identificar os suspeitos.
Impacto e desdobramentos
O bloqueio de até R$ 10 milhões representa um duro golpe financeiro contra a organização, que utilizava os lucros da exploração sexual para financiar novas operações e manter a estrutura criminosa. A Justiça também determinou o sequestro de imóveis e veículos de luxo, além do congelamento de contas bancárias.
A Operação El Dorado é mais um capítulo na luta contra o tráfico de pessoas, crime que afeta milhares de brasileiros todos os anos. Segundo dados do Ministério da Justiça, o Brasil é um dos principais países de origem de vítimas de tráfico para exploração sexual na Europa, e a França figura entre os destinos mais comuns.
As autoridades reforçam a importância de denúncias anônimas e de campanhas de conscientização para prevenir novos casos. A PF segue com as investigações para identificar outros envolvidos e resgatar possíveis vítimas que ainda estejam em situação de exploração.
O caso ganha relevância em um contexto de aumento do fluxo migratório e de vulnerabilidade de mulheres em situação de pobreza, que se tornam alvos fáceis para redes criminosas. A atuação conjunta entre Brasil e França é vista como modelo de cooperação internacional no enfrentamento a esse tipo de crime.
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