A Polícia Federal deflagrou na última sexta-feira (3) a Operação Exchange, com o objetivo de desarticular uma organização criminosa especializada na lavagem de dinheiro proveniente do tráfico internacional de drogas. Entre os alvos estão Diego Lameiro Diz, apontado como operador financeiro do grupo, e Victor Henrique de Oliveira Shimada, empresário que também é alvo de sanções impostas pelos Estados Unidos por suspeita de envolvimento com o Primeiro Comando da Capital (PCC). Ambos eram considerados foragidos até a última atualização desta reportagem.
Segundo apurado pelo g1, Diego Lameiro Diz tem 40 anos e é natural de Santos, no litoral de São Paulo. Ele foi identificado por autoridades norte-americanas e chamou a atenção da PF a partir de mensagens trocadas com Shimada sobre a produção de alho na qual trabalha em Mendoza, na Argentina. A investigação aponta que o grupo utilizava a produção de alho argentino como fachada para movimentar recursos ilícitos, combinando operações no agronegócio com empresas de fachada nos Estados Unidos e no Brasil.
Em uma rede social, Diego divulgou que fez um curso de Logística na Faculdade de Tecnologia (Fatec) Rubens Lara, em Santos, entre 2004 e 2008. Ele também informou ter iniciado Engenharia de Produção em uma universidade da cidade, mas não terminou devido à mudança para fora do país, em 2014. Em outra rede social, ele disse atuar no agronegócio brasileiro e no comércio internacional, com emojis de verduras e legumes, incluindo um alho. No documento da representação da PF enviada à Justiça, a corporação apontou o santista como operador financeiro e responsável por dar suporte à lavagem de dinheiro por meio de empresas de fachada nos Estados Unidos e no Brasil.
Por meio de nota, o advogado Vítor Vitorio, que representa Diego Lameiro, informou que o investigado irá prestar oportunamente todos os esclarecimentos que se fizerem necessários. Ele destacou que já apresentou uma petição solicitando acesso aos autos do processo. “É importante destacar que a investigação ainda se encontra em fase preliminar, inexistindo qualquer juízo de culpa ou condenação. A Constituição Federal assegura a todo cidadão o devido processo legal, o contraditório, a ampla defesa e, sobretudo, a presunção de inocência”, afirmou Vitorio. O advogado acrescentou estar confiante de que os fatos serão esclarecidos e a inocência de Diego será reconhecida, “motivo pelo qual não fará comentários sobre o mérito da investigação neste momento, em respeito ao sigilo processual e à regularidade das diligências em curso”.
A Operação Exchange ocorre em um contexto de crescente cooperação entre Brasil e Estados Unidos no combate ao crime organizado transnacional. As sanções impostas pelos EUA a Victor Shimada refletem a preocupação com a infiltração do PCC em atividades econômicas legítimas, como o agronegócio, para lavar dinheiro do tráfico de drogas. A ação da PF também mira outras nove pessoas, todas com ligações com o grupo, e busca desmantelar a estrutura financeira que sustentava as operações criminosas. O caso reforça a necessidade de monitoramento de setores como o comércio internacional de produtos agrícolas, que podem ser usados como fachada para movimentações ilícitas.
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