Operação Fragrância do Crime: quadrilha interestadual que furtava perfumarias e movimentou R$ 11,8 milhões é desarticulada em quatro estados

A Polícia Civil de Pernambuco informou nesta quarta-feira (15) que desarticulou uma quadrilha interestadual especializada em furtos milionários e lavagem de dinheiro, que atuava em Pernambuco, Paraíba, Rio Grande do Norte e Alagoas. A estimativa é que a organização criminosa tenha movimentado quase R$ 12 milhões em dois anos, com prejuízo estimado de R$ 2,4 milhões apenas às lojas de perfumes. Ao todo, onze pessoas foram presas, sendo oito homens e três mulheres, com uma das prisões realizada em Itajaí (SC).

As investigações começaram em outubro de 2025, após o arrombamento de uma agência bancária em Camaragibe, no Grande Recife. A operação foi batizada como “Fragrância do Crime”, em alusão à prática recorrente de assaltar redes de perfumaria. Em entrevista coletiva, o delegado João Paulo de Andrade, titular da Delegacia de Polícia de Roubos e Furtos (DPRF), explicou que a organização criminosa operava por meio de empresas de fachada. “O prejuízo estimado a essas lojas da rede de perfumes chega a R$ 2,4 milhões. No total, através da análise financeira, nós identificamos que eles movimentaram uma quantia superior a R$ 11,8 milhões no período de dois anos”, afirmou.

Logística dos crimes e núcleos da quadrilha

De acordo com o delegado, a quadrilha era dividida em três núcleos. O primeiro era responsável pelos furtos qualificados de mercadorias após o arrombamento de estabelecimentos. Outro grupo ficava responsável pelo desligamento do fornecimento de energia e utilização de câmeras e alarmes dos pontos comerciais alvos dos arrombamentos. A terceira parte da organização criminosa fazia o papel financeiro, com a tarefa de ocultar valores e, posteriormente, na reintrodução dos produtos na economia formal. “O modo de integração desses valores à economia formal foi por meio de empresas de fachada, do ramo de cosméticos, perfumes e também de laticínios”, informou o delegado.

Ainda segundo a Polícia Civil, existia uma espécie de cadeia de processamento dos crimes. Antes do arrombamento dos estabelecimentos, os suspeitos faziam um mapeamento da área para desligar o fornecimento de energia e o acesso às câmeras de segurança dos locais. Após o furto, começava um novo processo, mais sofisticado, de lavagem de dinheiro, que utilizava práticas como “smurfing”, que funciona a partir da distribuição de grandes quantias em pequenas transações para evitar detecção.

Foram expedidos 11 mandados de prisão, seis mandados de busca e apreensão domiciliar, além de ordens judiciais de sequestro de bens e bloqueio de ativos financeiros, todas autorizadas pela 19ª Vara Criminal do Recife. A ação policial representa mais um capítulo na luta contra o crime organizado interestadual, que frequentemente utiliza empresas de fachada para lavar dinheiro oriundo de furtos e roubos, como já visto em outras operações recentes no país.

O caso reforça a necessidade de integração entre as forças de segurança dos estados, já que a quadrilha atuava em múltiplas regiões. Operações similares, como a que desarticulou uma quadrilha paulista que furtava apartamentos de luxo em todo o Brasil, e a que prendeu especialistas em furto de canetas emagrecedoras em farmácias do Distrito Federal, mostram um padrão de criminalidade que exige respostas coordenadas. A Polícia do DF também desmontou recentemente uma oficina de fachada que furtava diesel de oleoduto da Petrobras, e em Maceió, uma rede de furtos a farmácias foi desarticulada, evidenciando os desafios na segurança pública em diferentes regiões.

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