Operação Máquinas de Areia: MPMS investiga fraudes em contratos de R$ 100 milhões na Prefeitura de Três Lagoas

O Ministério Público de Mato Grosso do Sul (MPMS) deflagrou, na manhã desta quinta-feira (6), a Operação Máquinas de Areia para investigar um suposto esquema de fraudes em contratos da Prefeitura de Três Lagoas. Ao todo, foram cumpridos 19 mandados de busca e apreensão em Três Lagoas, Campo Grande e Terenos, em Mato Grosso do Sul, além de Castilho (SP). Os levantamentos apontam que, entre 2018 e 2026, os contratos e aditivos investigados somam mais de R$ 100 milhões.

Ainda conforme a apuração, há indícios de que parte dos pagamentos feitos pelo poder público não correspondia aos serviços efetivamente prestados. Segundo a investigação, uma organização criminosa formada por servidores públicos e empresários teria atuado para fraudar contratos públicos firmados com a Prefeitura de Três Lagoas. Os investigados são suspeitos de envolvimento em crimes de fraude em licitações, corrupção, peculato e lavagem de dinheiro.

Esquema envolvia locação de veículos e obras de infraestrutura

De acordo com o MPMS, o grupo teria manipulado a execução de contratos de locação e fornecimento de veículos, máquinas e equipamentos pesados, além de contratos de obras de infraestrutura para revestimento primário de vias no município. Para os investigadores, o esquema teria sido usado para desviar recursos públicos e gerar enriquecimento ilícito dos envolvidos, causando prejuízos aos cofres públicos e à população.

A ação é conduzida pelo Grupo Especial de Combate à Corrupção (Gecoc), pelo Grupo de Atuação Especial de Repressão ao Crime Organizado (Gaeco) e pela 7ª Promotoria de Justiça de Três Lagoas. Os mandados foram cumpridos por determinação da Justiça em uma investigação que apura crimes contra a administração pública e outros delitos relacionados.

O g1 não conseguiu contato com a prefeitura de Três Lagoas até a última atualização desta reportagem.

Panorama de investigações contra corrupção no país

A operação em Três Lagoas soma-se a uma série de investigações recentes que miram desvios de recursos públicos em diferentes esferas. Em âmbito federal, a Polícia Federal investiga a Operação Malversação, que apura desvio de recursos em contratos da Universidade Federal de Lavras. Já no Congresso, um inquérito no STF atinge o vice de Flávio Bolsonaro, suspeito de estupro de vulnerável e desvio de R$ 6 milhões em emendas. O TCU também analisa irregularidades na ampliação do terminal da Maersk em Suape, enquanto a PF mira o núcleo familiar do senador Weverton Rocha na Operação Sem Desconto, que chegou a apreender uma máquina de contar dinheiro. Esses casos reforçam a necessidade de fiscalização rigorosa sobre o uso do dinheiro público e o combate a esquemas que envolvem agentes públicos e empresários.

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