Operação mira facções criminosas que controlam tráfico e armas a partir de presídios na Bahia

Uma operação conjunta das forças de segurança da Bahia foi deflagrada nesta semana para desarticular facções criminosas que atuam dentro de presídios do estado, com ramificações no tráfico de drogas, circulação de armas de fogo e na comunicação entre integrantes presos e pessoas em liberdade. A ação, que envolve policiais civis e militares, cumpre mandados de busca e apreensão em diversas unidades prisionais e endereços ligados aos investigados, em um movimento que reforça o combate ao crime organizado no sistema carcerário baiano.

De acordo com as investigações, os grupos criminosos utilizam a estrutura dos presídios como base para coordenar atividades ilícitas, incluindo o envio de drogas e armas para as ruas, além de manter uma rede de comunicação que permite a continuidade dos negócios mesmo atrás das grades. A operação tem como alvo lideranças e integrantes de facções como o Primeiro Comando da Capital (PCC) e o Comando Vermelho (CV), que expandiram sua atuação na Bahia nos últimos anos, explorando vulnerabilidades do sistema prisional e disputando territórios com grupos locais.

Panorama do crime organizado no sistema prisional

O cenário de atuação das facções dentro dos presídios baianos reflete um problema nacional, onde o crime organizado utiliza a estrutura carcerária como centro de comando para operações externas. Dados do Conselho Nacional de Justiça (CNJ) indicam que, em 2024, mais de 60% das unidades prisionais do país registraram indícios de comunicação irregular entre presos e o mundo exterior, facilitada por celulares e outros dispositivos. Na Bahia, a situação é agravada pela superlotação e pela falta de investimentos em tecnologia de bloqueio de sinais, o que permite que líderes de facções mantenham contato direto com suas organizações.

A operação atual é parte de um esforço mais amplo do governo federal e estadual para conter o avanço das facções. Em janeiro de 2025, o governo federal lançou um mega plano de R$ 11 bilhões contra o crime organizado, com foco na asfixia financeira e no fortalecimento institucional das polícias. O programa, batizado de “Brasil Contra o Crime Organizado”, prevê ações integradas entre estados e União, incluindo a modernização de presídios e a implementação de sistemas de inteligência para monitorar comunicações ilícitas.

Paralelamente, o Senado rejeitou recentemente a proposta de classificar o PCC e o CV como organizações terroristas, apresentada pelo senador Flávio Bolsonaro. A decisão gerou debates sobre a eficácia de medidas legais para combater o crime organizado, com especialistas apontando que a tipificação como terrorismo poderia endurecer penas, mas também trazer riscos de judicialização excessiva. Enquanto isso, operações como a realizada na Bahia mostram que a repressão direta continua sendo a principal ferramenta do Estado.

As investigações também revelaram que um policial militar é suspeito de liderar um esquema de roubo de drogas entre o PCC e o CV em uma operação anterior no estado, o que evidencia a infiltração do crime organizado nas próprias forças de segurança. Esse caso, que está sob sigilo judicial, reforça a necessidade de medidas de controle interno e de combate à corrupção nas instituições.

A operação desta semana na Bahia deve se estender por vários dias, com a expectativa de que novos mandados sejam cumpridos e que mais integrantes das facções sejam identificados. As autoridades não descartam a prisão de novos suspeitos, incluindo agentes públicos que possam estar envolvidos na facilitação das atividades criminosas. O caso segue em andamento, e mais detalhes devem ser divulgados nos próximos dias pela Secretaria de Segurança Pública da Bahia.

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