A Polícia Civil de Alagoas (PCAL) realizou, nessa terça-feira (30), mais uma etapa do Dia D da Operação Mulher Segura, que resultou na prisão de um homem em cumprimento a mandado de prisão civil. A ação, coordenada pela delegada Ana Luiza Nogueira, coordenadora das Delegacias Especializadas de Atendimento à Mulher, faz parte de uma força-tarefa que já prendeu 257 agressores em 30 dias, desde o início da operação em outubro. A iniciativa, que segue até dezembro, visa intensificar o combate à violência doméstica e familiar contra a mulher em todo o estado, com ações integradas entre as forças de segurança e o sistema de justiça.
O balanço divulgado pela PCAL aponta que, além das 257 prisões, a operação já cumpriu centenas de mandados de busca e apreensão e medidas protetivas de urgência. A delegada Ana Luiza Nogueira destacou que a operação tem caráter preventivo e repressivo, atuando tanto na prisão de agressores quanto na orientação de vítimas. “Estamos em campo diariamente, com equipes dedicadas a garantir que as denúncias sejam apuradas e que os agressores sejam responsabilizados. A Operação Mulher Segura é um compromisso do estado com a proteção das mulheres alagoanas”, afirmou a delegada.
Panorama político e social
A Operação Mulher Segura ocorre em um contexto de aumento da violência doméstica em Alagoas, que registrou alta de 12% nos casos de feminicídio em 2023, segundo dados da Secretaria de Segurança Pública. A ação integra o Programa Mulher Segura, lançado pelo governo estadual em parceria com o Ministério da Justiça e Segurança Pública, que prevê investimentos de R$ 5 milhões em equipamentos, capacitação de policiais e campanhas de conscientização. A iniciativa também conta com o apoio do Tribunal de Justiça de Alagoas (TJAL) e do Ministério Público Estadual (MPE), que agilizam a análise de medidas protetivas e a tramitação de processos.
Especialistas apontam que a operação é um avanço, mas alertam para a necessidade de políticas públicas de longo prazo, como educação nas escolas e fortalecimento da rede de acolhimento às vítimas. A Coordenadoria da Mulher em Situação de Violência Doméstica do TJAL informou que, desde o início da operação, o número de medidas protetivas concedidas aumentou 18%, o que indica maior confiança das vítimas no sistema de justiça. No entanto, organizações de direitos humanos, como o Fórum de Mulheres de Alagoas, cobram mais transparência nos dados e ações efetivas para prevenir a reincidência.
Em paralelo, outras operações policiais em Alagoas têm reforçado o combate à violência, como a Operação Policial Litorânea Integrada, que prendeu um médico-veterinário por violência doméstica em Maceió, e a Megaoperação Policial em Maceió, que desvendou uma rede de homicídios e prendeu suspeitos, incluindo uma idosa de 70 anos. Essas ações demonstram a capilaridade das forças de segurança no estado, mas também expõem falhas na proteção a vítimas, como no caso do veterinário preso após agredir a esposa, que gerou críticas sobre a demora na resposta policial.
A Operação Mulher Segura segue até dezembro, com novas etapas do Dia D programadas para as próximas semanas. A população pode denunciar casos de violência doméstica pelo telefone 180 (Central de Atendimento à Mulher) ou pelo 190 (Polícia Militar). A PCAL também disponibiliza o aplicativo Mulher Segura, que permite o acionamento rápido de medidas protetivas e o registro de ocorrências online.
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