Operação na Paraíba prende delegado e policiais por tráfico e corrupção; Justiça bloqueia R$ 10 milhões

Uma operação conjunta das polícias Civil e Federal na Paraíba resultou, nesta quinta-feira (26), na prisão de um delegado e dois policiais civis, acusados de integrar um esquema de tráfico de drogas e corrupção. A investigação, que durou mais de seis meses, aponta que os agentes públicos repassavam informações sigilosas para uma organização criminosa que atuava na região metropolitana de João Pessoa. A Justiça determinou o bloqueio de R$ 10 milhões em bens e contas bancárias dos envolvidos, como parte das medidas cautelares para desarticular o grupo.

De acordo com o Ministério Público da Paraíba (MPPB), que coordenou a ação com a Corregedoria da Polícia Civil, as prisões ocorreram em endereços residenciais e na sede da própria corporação. Os nomes dos presos não foram divulgados oficialmente, mas fontes confirmam que o delegado, lotado na Delegacia de Repressão ao Crime Organizado (Draco), é um dos principais alvos. Os dois policiais civis, um deles com mais de 15 anos de carreira, são suspeitos de atuar como intermediários no repasse de dados sobre operações policiais e investigações em andamento.

Esquema de corrupção e tráfico

As investigações revelaram que a organização criminosa, especializada no tráfico de cocaína e crack, pagava propinas mensais que variavam de R$ 5 mil a R$ 20 mil para os agentes públicos. Em troca, os policiais forneciam informações sobre mandados de busca, apreensão e prisão, além de alertar sobre a presença de viaturas e operações de inteligência. O esquema, segundo o MPPB, operava há pelo menos dois anos e envolvia também a lavagem de dinheiro por meio de empresas de fachada e imóveis adquiridos com recursos ilícitos.

O bloqueio de R$ 10 milhões, autorizado pela 2ª Vara Criminal de João Pessoa, inclui contas bancárias, veículos de luxo e imóveis registrados em nome dos investigados e de seus familiares. A medida visa garantir o ressarcimento de danos ao erário e a eventual aplicação de multas previstas na Lei de Improbidade Administrativa. A operação, batizada de “Mãos Limpas”, em referência à necessidade de transparência no serviço público, também cumpriu 12 mandados de busca e apreensão em endereços na capital e em cidades do interior.

Panorama político e impacto institucional

O caso ocorre em um momento de tensão no sistema de segurança pública da Paraíba, que já enfrenta denúncias de corrupção em outras esferas. Em 2025, a Assembleia Legislativa instaurou uma Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) para investigar a atuação de grupos de extermínio no estado, e a prisão de agentes públicos ligados ao tráfico reforça a percepção de infiltração do crime organizado nas instituições. O governador da Paraíba, em nota, afirmou que “a operação demonstra o compromisso do estado com a punição de desvios éticos e criminais, independentemente do cargo ocupado”.

Para especialistas em segurança pública, o caso expõe fragilidades nos mecanismos de controle interno das polícias. “A corrupção sistêmica, quando atinge delegados e policiais, compromete a credibilidade de toda a corporação e exige reformas urgentes nos processos de recrutamento, fiscalização e punição”, avaliou o cientista político Carlos Mendes, da Universidade Federal da Paraíba (UFPB). A operação também reacende o debate sobre a necessidade de maior integração entre as polícias Civil e Federal no combate ao crime organizado, que frequentemente explora brechas na comunicação entre os órgãos.

Os presos foram encaminhados ao presídio militar de João Pessoa, onde aguardam audiência de custódia. A investigação continua, com análise de documentos e depoimentos de testemunhas, e novas prisões não estão descartadas. O MPPB informou que o caso será acompanhado pela Corregedoria-Geral da Polícia Civil, que já abriu procedimento administrativo para apurar a conduta dos agentes. A sociedade paraibana, enquanto isso, acompanha com apreensão o desdobramento de mais um capítulo da luta contra a corrupção no estado.

Fonte: ver noticia original

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *