Operação Occulta Manus: PF investiga esquema de corrupção em licenciamentos ambientais em Búzios

A Polícia Federal deflagrou, na manhã desta quarta-feira (12), a Operação Occulta Manus para investigar um suposto esquema de corrupção, fraudes em licenciamentos ambientais e favorecimento de interesses privados dentro da Secretaria Municipal do Ambiente e Urbanismo de Armação dos Búzios, na Região dos Lagos do Rio de Janeiro. A ação é realizada em conjunto com o Ministério Público Federal e a 1ª Promotoria de Justiça de Armação dos Búzios.

Entre os alvos da operação estão a secretária de Meio Ambiente, Roseli de Almeida Pereira, e o secretário de Sustentabilidade, Evanildo Nascimento. Roseli já estava afastada do cargo desde o fim de julho por decisão da Justiça do Rio, após denúncia do Ministério Público do Rio de Janeiro (MPRJ), que a acusou de dificultar o acesso a documentos considerados essenciais em investigações sobre possíveis irregularidades ambientais no município.

Ao todo, são cumpridos 8 mandados de busca e apreensão: 4 em Búzios, 2 em Cabo Frio, 1 em Araruama e 1 em Saquarema. As ordens foram expedidas pela 5ª Vara Federal Criminal.

Panorama da investigação

A operação desta quarta-feira amplia o cerco a possíveis irregularidades na gestão ambiental de Búzios, um dos destinos turísticos mais conhecidos do estado. A suspeita é de que servidores públicos e agentes privados atuassem em conluio para agilizar ou liberar licenças ambientais sem o devido cumprimento das normas, em troca de vantagens indevidas. O nome da operação, Occulta Manus (do latim, “mão oculta”), sugere a atuação encoberta de interesses escusos nos bastidores da administração municipal.

O caso ganha relevância em um contexto de crescente atenção às políticas ambientais no Brasil, especialmente em municípios costeiros, onde a especulação imobiliária e o turismo pressionam por flexibilização de regras. A ação conjunta entre PF, MPF e promotoria local indica um esforço integrado para responsabilizar agentes públicos e privados envolvidos em esquemas que afetam diretamente a preservação de ecossistemas sensíveis, como restingas e áreas de mangue.

Até o momento, não há informações sobre prisões ou afastamentos adicionais além do já ocorrido com a secretária Roseli. A investigação segue em sigilo, e novos desdobramentos podem surgir a partir da análise dos materiais apreendidos nos endereços vasculhados.

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