A Polícia Civil prendeu 14 criminosos suspeitos de integrar um esquema de agiotagem no Grande Recife, em uma operação que durou um mês. A quadrilha atuava na Região Metropolitana, com destaque para o distrito de Nossa Senhora do Ó, em Ipojuca; e os bairros de Barra de Jangada, em Jaboatão dos Guararapes, e Gaibu, no Cabo de Santo Agostinho. A investigação revelou que os criminosos utilizavam imigrantes como intermediários para aliciar vítimas, ampliando o alcance do esquema.
De acordo com as autoridades, a operação foi desencadeada após denúncias de vítimas que relataram ameaças e cobranças abusivas. Os presos são acusados de praticar agiotagem, extorsão e associação criminosa. A polícia não divulgou os nomes dos envolvidos, mas confirmou que todos foram encaminhados ao sistema prisional, onde permanecerão à disposição da Justiça.
Esquema de aliciamento com imigrantes
O diferencial do esquema, segundo a investigação, era o uso de imigrantes para abordar as vítimas. Eles eram recrutados para fazer a abordagem inicial, muitas vezes em locais públicos, oferecendo empréstimos fáceis e sem burocracia. Após o primeiro contato, as vítimas eram levadas a contrair dívidas com juros exorbitantes, e a cobrança era feita com ameaças e violência psicológica.
A polícia apreendeu documentos, celulares e valores em dinheiro durante as prisões, que podem ajudar a mapear toda a rede de atuação da quadrilha. A investigação segue em andamento para identificar outros possíveis envolvidos e vítimas que ainda não procuraram as autoridades.
Panorama da agiotagem na região
A agiotagem é um crime recorrente em Pernambuco, especialmente em áreas de maior vulnerabilidade social. Especialistas apontam que a prática se intensifica em períodos de crise econômica, quando o acesso ao crédito formal é restrito. A ação da Polícia Civil é vista como um passo importante para coibir esse tipo de crime, mas também levanta o debate sobre a necessidade de políticas públicas de inclusão financeira e fiscalização de instituições de crédito informais.
As autoridades orientam que vítimas de agiotagem procurem a delegacia mais próxima ou denunciem pelo Disque-Denúncia (181). O sigilo é garantido, e a colaboração da população é essencial para desmantelar outras organizações criminosas que atuam na região.
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