Operação Unha e Carne: PF prende bicheiro, ex-presidente da Alerj e pastor em nova fase de investigação

A Polícia Federal deflagrou nesta quinta-feira (2) a quinta fase da Operação Unha e Carne, que resultou na prisão de três alvos de destaque no estado do Rio de Janeiro: o contraventor do jogo do bicho Adilson Oliveira Coutinho Filho, conhecido como Adilsinho; o ex-presidente da Assembleia Legislativa do Estado do Rio de Janeiro (Alerj) Rodrigo Bacellar; e o empresário e pastor Márcio Poncio. Além deles, o ex-deputado federal e filho do ex-governador Sérgio Cabral, Marco Antônio Cabral, foi alvo de um mandado de busca e apreensão. A operação, que já havia sido anunciada pela Agência Brasil, aprofunda as investigações sobre lavagem de dinheiro e possíveis ramificações do esquema do jogo do bicho junto a integrantes dos Poderes Executivo e Legislativo fluminenses.

De acordo com a Polícia Federal, a ação desta quinta-feira visa “aprofundar a apuração de indícios de lavagem de dinheiro praticada pelo chefe da nova cúpula do jogo do bicho e possível ramificação do esquema junto a integrantes dos Poderes Executivo e Legislativo do Estado do Rio de Janeiro”. As investigações tiveram início após a apreensão de listas em poder do contraventor, que indicavam pagamentos a agentes públicos e políticos. A corporação informou que as apurações prosseguem com a análise do material apreendido, a identificação do fluxo financeiro investigado e a apuração da participação de eventuais beneficiários, intermediários e operadores do esquema.

A defesa do contraventor Adilsinho, assinada pelo advogado Ricardo Braga, rechaçou a alegação de pagamento de vantagens indevidas a políticos ou agentes públicos. “A defesa confia no Poder Judiciário e no devido processo legal”, concluiu a nota. Já a prisão de Rodrigo Bacellar ocorre em meio a um cenário político conturbado: o ex-presidente da Alerj teve sua cassação mantida por maioria no Supremo Tribunal Federal (STF) em abril, em processo que já apontava irregularidades em sua atuação parlamentar. O pastor Márcio Poncio, por sua vez, é empresário do ramo religioso e figura como um dos operadores do esquema, segundo a PF.

A operação Unha e Carne, que já está em sua quinta fase, reflete um esforço contínuo da Polícia Federal para desarticular redes de lavagem de dinheiro ligadas ao jogo do bicho, uma das principais fontes de contravenção no Rio de Janeiro. O caso ganha relevância em um momento de tensão política no estado, onde investigações anteriores já haviam revelado conexões entre contraventores e agentes públicos. A prisão de figuras como Bacellar, que ocupou a presidência da Alerj, e de Poncio, que transita entre os meios religioso e empresarial, sinaliza que o esquema pode ter ramificações amplas, envolvendo diferentes setores da sociedade fluminense.

As investigações continuam em andamento, e a PF não descarta novas fases da operação. O material apreendido nos mandados de busca e apreensão, incluindo documentos e dispositivos eletrônicos, será analisado para identificar outros possíveis envolvidos. O caso também levanta questionamentos sobre a eficácia dos mecanismos de controle e fiscalização no estado, especialmente em relação à atuação de políticos e à regulação do jogo de azar, que permanece ilegal no Brasil, exceto em loterias federais.

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