Oposição amplia ofensiva contra privatização da Sabesp e mira gestão Tarcísio

Parlamentares de oposição à gestão Tarcísio de Freitas (Republicanos), sobretudo do PT e do PSOL, têm intensificado suas ações e queixas contra a privatização da Sabesp (Companhia de Saneamento Básico do Estado de São Paulo), uma das principais bandeiras do governador. O movimento ganha força entre aliados do ministro da Fazenda, Fernando Haddad (PT), que veem na desestatização um ponto frágil da administração estadual e uma oportunidade de reacender o debate sobre o papel do Estado em serviços essenciais.

As críticas concentram-se em possíveis aumentos tarifários, na qualidade do serviço prestado após a venda do controle da companhia e na transparência do processo de privatização, concluído em 2024. Dados oficiais apontam que a Sabesp atende 375 municípios paulistas e cerca de 28 milhões de pessoas, o que torna qualquer alteração no serviço um tema de alto impacto social e político.

Panorama político e estratégia de oposição

A ofensiva ocorre em um contexto de aproximação do ciclo eleitoral de 2026, no qual Tarcísio de Freitas é cotado como possível candidato à reeleição ou a cargo nacional. Para aliados de Haddad, a privatização da Sabesp representa um dos legados mais simbólicos do governo paulista e, ao mesmo tempo, um dos mais vulneráveis a críticas populares, especialmente em regiões metropolitanas onde o saneamento ainda é deficitário.

Parlamentares do PT e do PSOL têm protocolado requerimentos de informação, convocado audiências públicas e acionado o Ministério Público de Contas para fiscalizar o cumprimento das metas contratuais pela nova gestão privada. A estratégia busca não apenas desgastar o governador, mas também proteger a memória da gestão anterior, quando a Sabesp era estatal e Haddad foi prefeito de São Paulo (2013-2016), período em que a companhia manteve investimentos em expansão da rede.

Impactos e reações

Especialistas em saneamento apontam que, embora a privatização tenha injetado recursos imediatos nos cofres estaduais — cerca de R$ 14,8 bilhões na venda do controle —, o acompanhamento regulatório ainda é insuficiente para garantir que a universalização do saneamento, prevista para 2033, seja alcançada sem onerar excessivamente o consumidor. Dados da Agência Reguladora de Serviços Públicos do Estado de São Paulo (Arsesp) indicam que, desde a privatização, as tarifas residenciais tiveram reajuste médio de 9,2%, acima da inflação do período.

Em resposta, a gestão Tarcísio defende que a privatização trouxe eficiência e capacidade de investimento, e que eventuais problemas pontuais estão sendo corrigidos. A Sabesp, agora sob controle privado, afirma que mantém o compromisso com as metas do contrato e que os reajustes seguem índices previstos em lei.

A escalada das críticas, no entanto, sinaliza que a privatização da Sabesp deve continuar sendo um dos principais campos de batalha política em São Paulo nos próximos meses, com reflexos diretos na disputa nacional pelo eleitorado urbano.

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