A senadora Eudócia Caldas (PSDB-AL) está entre os 40 senadores que assinaram a chamada PEC do horário flexível, proposta encabeçada pelo líder da oposição no Senado, Rogério Marinho (PL-RN), como alternativa à PEC que acabaria com a escala 6×1. A iniciativa, que já ultrapassa o número mínimo de assinaturas necessárias para tramitação, representa uma contra-ofensiva da oposição ao projeto de redução da jornada de trabalho, em debate no Congresso Nacional.
A PEC do horário flexível propõe a possibilidade de negociação entre empregadores e empregados para definir escalas de trabalho, sem a obrigatoriedade do modelo 6×1 — que prevê seis dias de trabalho e um de descanso. A proposta é vista como uma alternativa mais branda, que mantém a jornada semanal de 44 horas, mas permite maior flexibilidade na distribuição dos dias trabalhados. O texto foi protocolado no Senado e já conta com o apoio de 40 parlamentares, número suficiente para iniciar a tramitação.
A adesão de Eudócia Caldas à PEC ocorre em um contexto de forte polarização no Congresso, onde o debate sobre a redução da jornada de trabalho divide opiniões. Enquanto a oposição defende a flexibilização como forma de preservar empregos e evitar custos adicionais para as empresas, setores progressistas e centrais sindicais pressionam pela aprovação da PEC que extingue a escala 6×1, argumentando que a medida melhoraria a qualidade de vida dos trabalhadores e não comprometeria a produtividade.
A senadora alagoana, mãe do ex-prefeito de Maceió JHC, tem se posicionado como uma voz alinhada à oposição no Senado, especialmente em pautas trabalhistas e econômicas. Sua assinatura na PEC do horário flexível reforça o bloco oposicionista, que busca construir uma alternativa ao projeto original, considerado por muitos como radical e de difícil aprovação.
O embate entre as duas propostas reflete um racha político mais amplo, que envolve não apenas a questão trabalhista, mas também a disputa por narrativas sobre o papel do Estado e do mercado na regulação das relações de trabalho. A PEC da oposição, se aprovada, representaria uma vitória para setores empresariais e conservadores, enquanto a PEC original, que extingue a escala 6×1, é defendida por movimentos sociais e partidos de esquerda.
O debate sobre a jornada de trabalho ganhou força nos últimos meses, impulsionado por mobilizações de trabalhadores e pela tramitação de projetos no Congresso. A PEC do horário flexível, ao ser apresentada como alternativa, busca desidratar o apoio à proposta original e criar um consenso em torno de uma solução intermediária. No entanto, a polarização política e a resistência de ambos os lados indicam que a discussão deve se estender por meses, com negociações intensas no plenário e nas comissões.
A senadora Eudócia Caldas e os demais signatários da PEC agora aguardam a designação de relator e a inclusão da proposta na pauta do Senado. O desfecho do embate entre as duas PECs pode ter impactos significativos na vida de milhões de trabalhadores brasileiros, além de influenciar o cenário político nas eleições de 2026.
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