Em um culto realizado nesta terça-feira (25), o pastor José Wellington Costa Junior, presidente da Convenção Geral dos Ministros das Igrejas Evangélicas Assembleias de Deus do Brasil (CGADB), convidou o senador Flávio Bolsonaro (PL) para subir ao altar diante de uma plateia de milhares de fiéis. Na ocasião, o líder religioso pediu bênção para a campanha do presidenciável e fez uma oração suplicando para que “o Brasil seja liberto das garras de Satanás”. O episódio, ocorrido em um contexto de forte aproximação entre lideranças evangélicas e candidatos nas eleições de 2026, gerou repercussão imediata nos meios político e religioso.
O gesto do pastor, que preside uma das maiores convenções da Assembleia de Deus no país, ocorre em um momento de intensa disputa eleitoral, no qual o eleitorado evangélico se tornou alvo prioritário das campanhas presidenciais. A oração e a bênção pública a um candidato específico, no entanto, reacendem o debate sobre os limites entre fé e política, especialmente quando líderes religiosos utilizam seus púlpitos para manifestar apoio partidário. A CGADB, que historicamente busca se posicionar de forma institucional, não se manifestou oficialmente sobre o episódio até o fechamento desta matéria.
Panorama político e religioso
O evento desta terça-feira não é um caso isolado. Nos últimos anos, igrejas evangélicas têm se tornado palco frequente de manifestações políticas, com pastores e bispos abençoando candidatos de diferentes espectros ideológicos. A Assembleia de Deus, uma das maiores denominações do Brasil, exerce influência significativa sobre milhões de eleitores, o que torna qualquer gesto de seus líderes um potencial fator de mobilização. A presença de Flávio Bolsonaro em um culto com essa magnitude sinaliza a estratégia da campanha de buscar o apoio explícito de lideranças religiosas, em um cenário no qual o voto evangélico é considerado decisivo para a definição do pleito.
Especialistas apontam que a bênção pública a um candidato pode ser interpretada como uma tentativa de transferir capital simbólico da igreja para a política, o que gera controvérsias tanto dentro quanto fora das comunidades religiosas. Enquanto alguns fiéis veem com naturalidade a participação de líderes em campanhas, outros criticam o que consideram uma instrumentalização da fé. A oração por um “Brasil livre das garras de Satanás”, proferida pelo pastor, também foi vista como uma referência indireta a adversários políticos, ampliando o tom de polarização que marca o atual momento do país.
Diante da repercussão, a campanha de Flávio Bolsonaro não comentou oficialmente o episódio, mas aliados do presidenciável celebraram o apoio público do pastor. Já setores da sociedade civil e de outras denominações religiosas manifestaram preocupação com o que classificaram como “uso eleitoreiro da fé”. O episódio deve alimentar o debate sobre a laicidade do Estado e o papel das igrejas no processo eleitoral, tema que promete ganhar ainda mais destaque nas próximas semanas, à medida que a corrida presidencial se intensifica.
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