O conceito de pauta-bomba, que ganhou notoriedade em 2015 com o então presidente da Câmara Eduardo Cunha contra o governo de Dilma Rousseff, voltou a dominar o cenário político brasileiro em 2026. Na ocasião, Cunha utilizou projetos de alto impacto fiscal para retaliar o Planalto após o avanço das denúncias da Operação Lava Jato contra ele. Agora, o governo federal enfrenta uma nova ofensiva no Congresso, com o Senado aprovando um pacote estimado em R$ 2 trilhões em pautas-bomba, desafiando a política de responsabilidade fiscal em pleno ano eleitoral.
O governo Lula alerta para o risco de descontrole das contas públicas e já sinalizou que pode judicializar a questão no Supremo Tribunal Federal (STF). A crise se intensificou com a articulação do presidente do Senado, Davi Alcolumbre, que tem pautado projetos de grande impacto financeiro, como a reoneração da folha de pagamentos e a ampliação de benefícios sociais, sem a devida compensação orçamentária. A equipe econômica calcula que, se todas as propostas forem aprovadas, o rombo nas contas públicas pode ultrapassar R$ 2 trilhões nos próximos anos, comprometendo o arcabouço fiscal e a credibilidade do país no mercado internacional.
Panorama político e riscos fiscais
O embate entre Executivo e Legislativo ocorre em um contexto de disputa eleitoral acirrada, com o governo tentando aprovar medidas de ajuste fiscal enquanto o Congresso busca ampliar gastos para atender a bases eleitorais. A situação remete ao período de 2015, quando Eduardo Cunha usou pautas-bomba para desgastar Dilma Rousseff, resultando em um impeachment. Agora, o governo Lula tenta evitar o mesmo destino, mas enfrenta resistência de uma oposição fortalecida e de aliados insatisfeitos com a política de cortes.
Entre as pautas-bomba em tramitação estão projetos que aumentam salários de servidores públicos, reajustam aposentadorias e ampliam subsídios para setores específicos, sem contrapartidas de receita. O governo já recorreu ao STF para barrar o avanço dessas propostas, argumentando que violam a Lei de Responsabilidade Fiscal e a Constituição. A crise com Alcolumbre se agravou após o presidente do Senado ignorar os pedidos do Planalto e colocar em votação projetos de alto custo, como a reestatização da distribuição de combustíveis, proposta pelo coordenador de campanha de Lula, que pode gerar um impacto de R$ 500 bilhões aos cofres públicos.
O cenário é de incerteza, com o governo tentando negociar com líderes partidários para evitar um colapso fiscal. Enquanto isso, o mercado financeiro reage com cautela, elevando o risco-país e pressionando o real. A aprovação do pacote de R$ 2 trilhões pelo Senado, em desafio ao governo, acirra a crise e coloca em xeque a governabilidade de Lula em um ano decisivo para as eleições presidenciais.
Fonte: ver noticia original

