Pequena África: tesouro histórico do Rio clama por reconhecimento turístico internacional

Quem viaja ao Rio de Janeiro normalmente visita o Cristo Redentor, o Pão de Açúcar e a orla da zona sul. Mas há um lugar cada vez mais presente nesse roteiro por transpirar história e ser reduto de manifestações da cultura afro-brasileira: a Pequena África. À beira da Baía de Guanabara, a região abriga o Cais do Valongo, o maior porto de desembarque de africanos escravizados nas Américas e Patrimônio Mundial da Humanidade declarado pela Organização das Nações Unidas para a Ciência e Cultura (UNESCO) desde 2017. Apesar da importância histórica do Valongo para a compreensão da diáspora africana e a formação do Brasil, a Pequena África ainda não tem o reconhecimento turístico merecido, como atração de peso internacional, avaliam especialistas reunidos na Feira Preta Festival. O evento foi encerrado no último domingo (31), no Piér Mauá, depois de três dias de debates, shows, feira e anúncio de projetos.

Um dos fundadores da plataforma Diáspora Black, o jornalista e gestor Antonio Pita acredita que, pelos atrativos, a Pequena África deveria estar entre as grandes atrações internacionais da cidade. “Uma boa parte das pessoas tem no imaginário o Rio [de Janeiro] de praias, de festas, mas ainda não vinculou o turismo com o aspecto tradicional”, avaliou. A avaliação de Pita ecoa a percepção de outros participantes do festival, que destacaram o potencial da região para atrair visitantes interessados em história, cultura e patrimônio afro-brasileiro.

Panorama político e cultural

A discussão sobre o reconhecimento turístico da Pequena África insere-se em um contexto mais amplo de valorização da herança africana no Brasil. Nos últimos anos, iniciativas como a homenagem a André Rebouças com o nome de um prédio na região, a disponibilização de materiais históricos do Cais do Valongo por meio de projetos de digitalização, e a campanha da Casa da Tia Ciata para cobrir prejuízos de furtos evidenciam tanto o esforço de preservação quanto os desafios enfrentados. A Feira Preta Festival, que reuniu debates, shows e anúncios, serviu como palco para que especialistas e ativistas cobrassem maior investimento em infraestrutura turística e divulgação internacional, de modo a transformar a Pequena África em um destino obrigatório para quem busca compreender a formação do Brasil e a resistência da cultura afro-diaspórica.

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