Um homem identificado como Ivanildo Silva de Oliveira, de 44 anos, foi preso em flagrante no final da tarde deste sábado (25) acusado de praticar os crimes de ameaça e perseguição (stalking) contra sua ex-companheira. A prisão ocorreu nas imediações do Posto Breno, no bairro Baixa Grande, no município de Arapiraca, Agreste alagoano. De acordo com informações da Polícia Militar, a vítima, que não teve o nome divulgado, relatou que vinha sendo alvo de perseguição constante e ameaças de morte por parte do ex-companheiro, inconformado com o término do relacionamento.
A ação policial foi desencadeada após a vítima acionar o Centro de Operações da Polícia Militar (Copom) por volta das 17h, informando que Ivanildo estava nas proximidades do local onde ela se encontrava, proferindo ameaças. Uma guarnição do 3º Batalhão de Polícia Militar (BPM) foi deslocada ao endereço indicado e, ao chegar, encontrou o suspeito ainda no local. Durante a abordagem, a vítima confirmou as ameaças e a perseguição, levando os militares a efetuarem a prisão em flagrante. O caso foi registrado na Central de Polícia Civil de Arapiraca, onde foram lavrados os autos de prisão pelos crimes de ameaça (artigo 147 do Código Penal) e perseguição (artigo 147-A, inserido pela Lei 14.132/2021, conhecida como Lei de Stalking).
O episódio ocorre em um contexto de aumento da violência doméstica e de gênero em Alagoas. Dados da Secretaria de Segurança Pública (SSP-AL) indicam que, apenas nos primeiros meses de 2025, o número de casos de stalking registrados no estado cresceu 18% em comparação com o mesmo período do ano anterior. Arapiraca, segundo maior município alagoano, tem sido palco de diversos casos de violência contra a mulher, com destaque para a atuação da Patrulha Maria da Penha e de delegacias especializadas. Especialistas apontam que a inconformidade com o fim do relacionamento é um dos principais gatilhos para comportamentos persecutórios, que muitas vezes evoluem para agressões físicas ou feminicídio.
A prisão de Ivanildo Silva de Oliveira reforça a importância da aplicação da Lei de Stalking, sancionada em 2021, que tipifica a perseguição reiterada como crime, com pena de reclusão de seis meses a dois anos, além de multa. A lei também prevê aumento de pena quando o crime é cometido contra mulher por razões de gênero. A vítima foi orientada a solicitar medidas protetivas de urgência, previstas na Lei Maria da Penha, para garantir sua segurança. O caso segue sob investigação da Polícia Civil, que deve ouvir testemunhas e analisar provas como mensagens e registros de chamadas.
O panorama político e social em Alagoas tem sido marcado por debates sobre o fortalecimento das políticas de enfrentamento à violência contra a mulher. Em 2025, o estado registrou uma média de 12 casos de stalking por mês, com maior concentração na região metropolitana de Maceió e no Agreste. Organizações de defesa dos direitos das mulheres, como o Instituto Maria da Penha e a Rede de Mulheres de Alagoas, têm pressionado por mais investimentos em delegacias especializadas e centros de acolhimento. O caso de Arapiraca, com a prisão em flagrante, demonstra a efetividade da atuação policial, mas também expõe a necessidade de políticas preventivas e de educação para a igualdade de gênero.
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