Personal trainer flagra pai chutando filha de 3 anos no rosto e é ameaçado: ‘Vai sobrar para você’

O personal trainer José Luiz, que testemunhou o momento em que um pai chutou o rosto da própria filha de 3 anos em Francisco Beltrão (PR), relatou que também foi ameaçado pelo agressor ao tentar impedir novas agressões. Dono de uma academia localizada em frente ao local do crime, ele contou que viu a violência enquanto a família voltava para casa e decidiu intervir. ‘Peguei o flagrante dele fazendo aquele absurdo. Ele me ameaçou dizendo: Fica na tua, porque não é com você e vai sobrar para você’, afirmou José Luiz em depoimento à polícia.

Segundo o personal trainer, a reação da menina após o chute foi uma das cenas mais marcantes. ‘Eu olhava para ela… Ela com o bracinho levantado para cima, olhando para o pai dela, meio se perguntando: Pai, por que você fez isso comigo?’, disse. A agressão ocorreu enquanto a família retornava para casa, e o irmão da vítima, de 5 anos, também presenciou a cena, ficando paralisado e assustado, conforme relatou a testemunha.

Após a agressão, José Luiz passou a procurar imagens de câmeras de segurança que registraram o crime. Ele conversou com moradores da região até localizar uma gravação que mostrou com clareza o momento da violência. ‘Conversei com o proprietário daquela residência e foi ali que conseguimos a imagem perfeita. Sem sombra de dúvida deu para saber quem era o rapaz’, afirmou. As imagens repercutiram nas redes sociais e chegaram à polícia, que ouviu testemunhas, familiares e solicitou a prisão preventiva do pai, de 31 anos.

Pai alega arrependimento e diz que ‘perdeu a cabeça’

Em depoimento à polícia, o homem afirmou estar arrependido e tentou justificar a agressão dizendo que a filha chorava durante o trajeto para casa. ‘Eu perdi a cabeça e acabei fazendo o que não deveria ter feito. Não era intencional, porque jamais iria machucar minha filha’, declarou. A menina foi atingida por um chute no rosto e caiu no chão. Apesar da justificativa, a polícia investiga se o caso pode ser enquadrado como tortura, devido ao sofrimento físico e psicológico imposto às vítimas.

Polícia investiga outros episódios de violência e tortura

Além do caso registrado pelas câmeras, a Polícia Civil apura ao menos outras duas denúncias de violência contra as crianças. De acordo com relatos de familiares, o pai teria agredido o filho de 5 anos com um pedaço de pau, atingindo o rosto da criança. Também há denúncias de castigos considerados cruéis, como obrigar os dois filhos a permanecer ajoelhados sobre grãos de feijão e tampas de garrafa PET. Diante dos indícios, os investigadores avaliam se o caso pode ser enquadrado como tortura. A mãe das crianças pediu medida protetiva e informou à polícia que pretende se separar do agressor.

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