Após 17 dias de uma apuração tensa e marcada por acusações de irregularidades, o Peru definiu sua nova presidente: Keiko Fujimori, do partido Fuerza Popular, venceu as eleições presidenciais com 9.206.241 votos (50,11%), contra 9.162.855 votos (49,88%) de seu adversário Roberto Sánchez, do partido Juntos por el Perú. A diferença final foi de apenas 43.386 votos, a menor da história democrática do país. Com 99,9% das urnas apuradas, a vitória de Fujimori é matematicamente irreversível, segundo o Escritório Nacional de Processos Eleitorais (ONPE), que ainda contabiliza cerca de 40 mil votos restantes. O resultado, no entanto, não encerra a crise política peruana: Sánchez já declarou que não reconhece o resultado e convocou protestos, alegando fraude e manipulação de votos.
A disputa acirrada reflete a profunda divisão política no Peru, que nos últimos anos enfrentou uma sucessão de presidentes, escândalos de corrupção e uma crise de representatividade. Keiko Fujimori, filha do ex-ditador Alberto Fujimori (que governou o país de 1990 a 2000), torna-se a primeira mulher eleita presidente do Peru por voto direto. Ela disputou as três últimas eleições presidenciais e foi derrotada em todas, até agora. Sua vitória ocorre em um contexto de forte rejeição à classe política e de desconfiança nas instituições eleitorais.
Acusações de fraude e contestação do resultado
Na última terça-feira (23), Roberto Sánchez declarou publicamente que não reconheceria o resultado do segundo turno, acusando o processo de fraude. O partido Juntos por el Perú entrou com um recurso na Justiça Eleitoral para anular votos registrados no exterior, alegando manipulação. A declaração de Sánchez ocorreu após dias de vantagem alternada entre os dois candidatos, com momentos de empate técnico em números absolutos. A apuração, feita majoritariamente por cédulas de papel, foi lenta e gerou desconfiança entre os eleitores.
A crise eleitoral se soma a um cenário político já instável. Keiko Fujimori será a nona presidente do Peru em dez anos, um recorde negativo que reflete a fragilidade das instituições democráticas no país. A polarização entre a direita conservadora de Fujimori e a esquerda de Sánchez expõe as dificuldades de governabilidade em um país marcado por desigualdades sociais, corrupção e uma economia fragilizada pela pandemia e pela crise política.
Panorama político e desafios do novo governo
A vitória de Keiko Fujimori ocorre em um momento de forte pressão internacional por transparência e respeito ao processo democrático. Organizações como a Organização dos Estados Americanos (OEA) acompanharam a apuração e pediram calma às partes. No entanto, as denúncias de fraude e a possibilidade de protestos populares podem dificultar a transição e a governabilidade. O novo governo terá que lidar com uma oposição fragmentada, mas mobilizada, e com uma população cansada de promessas não cumpridas.
O resultado também reacende o debate sobre o legado do fujimorismo no Peru. Keiko Fujimori é vista por seus apoiadores como uma defensora da ordem e do desenvolvimento econômico, mas é criticada por opositores por sua ligação com o regime autoritário de seu pai e por denúncias de corrupção que pesam contra ela e seu partido. A polarização entre os campos de direita e esquerda deve continuar a marcar a política peruana nos próximos anos, com desafios imediatos como a recuperação econômica, o combate à corrupção e a garantia de direitos sociais.
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