Peru vai às urnas neste domingo para definir novo presidente entre direita de Fujimori e esquerda de Sánchez

Com 34 milhões de habitantes, o Peru vai às urnas no próximo domingo (7) para definir o próximo presidente, que governará o país de 2026 a 2031. A disputa está entre a direitista Keiko Fujimori e o esquerdista Roberto Sánchez Palomino, conforme apuração da Agência Brasil. O país sul-americano enfrenta uma longa crise política e econômica que levou a destituições sucessivas de presidentes pelo parlamento. O próximo chefe de Estado no Peru será o nono presidente em 10 anos.

Após um primeiro turno tumultuado, em que a apuração se arrastou por mais de um mês, a filha do ex-ditador Alberto Fujimori (1990-2000), Keiko Fujimori, terminou com 17,1% dos votos contra 12,0% de Sánchez, em uma votação que contou com 35 candidatos. O cenário reflete a fragmentação política peruana e a insatisfação popular com a classe política tradicional.

Fujimori e Sánchez: dois projetos opostos para o Peru

Keiko Fujimori, líder do partido Fuerza Popular, representa a continuidade do legado autoritário de seu pai, mas com uma roupagem democrática. Sua campanha focou em segurança pública, combate à corrupção e políticas de livre mercado. Já Roberto Sánchez Palomino, do partido Juntos por el Perú, defende um programa de esquerda com ênfase em justiça social, reforma agrária e fortalecimento do Estado. A polarização entre os dois candidatos reflete a divisão histórica do país entre setores conservadores e progressistas.

A crise política peruana tem raízes profundas, com sucessivos presidentes destituídos por escândalos de corrupção ou conflitos com o Congresso. Desde 2016, o país teve oito presidentes, incluindo Pedro Castillo, que foi preso após tentar dissolver o parlamento. A instabilidade afetou a economia, com crescimento baixo e aumento da pobreza, que atinge cerca de 30% da população. A eleição deste domingo é vista como uma tentativa de estabilizar o país, mas analistas alertam que o novo presidente enfrentará um Congresso fragmentado e uma sociedade polarizada.

O cenário internacional também influencia a disputa. Keiko Fujimori é vista com simpatia por setores conservadores da América Latina, enquanto Sánchez recebe apoio de governos de esquerda, como o do Brasil e da Colômbia. A eleição peruana ocorre em meio a tensões regionais, como a crise na Venezuela e as disputas comerciais com a China, principal parceiro econômico do Peru. O resultado terá impacto direto nas relações do país com os vizinhos e com os Estados Unidos.

Para o Brasil, a eleição peruana é estratégica, já que o Peru é um dos principais parceiros comerciais na América do Sul, especialmente no setor de mineração e energia. A definição do novo presidente pode influenciar acordos de infraestrutura, como a rodovia Interoceânica, e a integração regional. Além disso, a crise política peruana serve de alerta para o Brasil, que também enfrenta desafios de governabilidade e polarização.

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