Uma pesquisa nacional realizada pela Quaest e encomendada pela Globo, em parceria com o jornal O Globo, revelou que 73% dos eleitores brasileiros desaprovam o uso de inteligência artificial (IA) nas campanhas dos candidatos nas eleições de 2026. O levantamento, divulgado neste domingo (17), ouviu 2.004 pessoas entre os dias 10 e 13 de agosto, com margem de erro de dois pontos percentuais para mais ou para menos e nível de confiança de 95%. A rejeição é majoritária em todos os segmentos analisados, mas ganha contornos específicos quando se observam recortes de gênero, posicionamento político e independência partidária.
Os números gerais mostram que apenas 21% dos entrevistados aprovam o uso da tecnologia nas campanhas, enquanto 3% afirmam que não faz diferença e outros 3% não souberam ou não responderam. A desaprovação é mais intensa entre as mulheres: 78% delas rejeitam a IA, contra 69% dos homens. Na divisão por espectro político, os índices de rejeição variam de 69% entre eleitores de direita não bolsonarista a 79% entre os de esquerda não lulista. Entre os independentes, 75% são críticos ao uso da ferramenta; no grupo dos bolsonaristas, 70% rejeitam; e entre os lulistas, o índice é de 73%.
Contexto regulatório e casos recentes
O debate sobre o uso de IA nas eleições ganhou urgência após o Tribunal Superior Eleitoral (TSE) agendar uma reunião para esta terça-feira (18) para discutir o tema. A medida foi motivada pela utilização, em julho, de um vídeo gerado por inteligência artificial com a imagem e a voz do ex-presidente Jair Bolsonaro no lançamento da candidatura de Flávio Bolsonaro (PL). O PT acionou a Justiça Eleitoral, argumentando que a legislação proíbe o uso de deepfakes e que houve propaganda eleitoral antecipada, já que o período oficial de campanha ainda não havia começado.
As regras atuais permitem o uso de IA nas campanhas, desde que haja aviso explícito sobre a origem artificial do conteúdo e a indicação da ferramenta utilizada. No entanto, são proibidos conteúdos que envolvam desinformação, criação de materiais falsos sobre adversários, imagens manipuladas com teor sexual ou ataques à integridade do processo democrático. Desde as eleições municipais de 2024, o uso de deepfakes é vedado. Para 2026, novas restrições foram adicionadas: a circulação de conteúdos gerados por IA é proibida nas 72 horas que antecedem a eleição e nas 24 horas após a votação, e plataformas como ChatGPT e Gemini não podem recomendar ou ranquear candidaturas, mesmo mediante solicitação do usuário.
Panorama das pesquisas eleitorais
Até 3 de outubro, véspera do primeiro turno, o g1, a Globo, a GloboNews, o jornal O Globo e emissoras afiliadas publicarão 130 pesquisas eleitorais, abrangendo as disputas pelo Senado, pela Presidência da República e pelos governos de todos os estados e do Distrito Federal. Os levantamentos foram encomendados à Quaest e ao Datafolha para acompanhar, rodada a rodada, a evolução da corrida eleitoral. A pesquisa sobre IA foi registrada no TSE sob o número BR-06773/2026.
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