O pré-candidato do PL à Presidência da República, Flávio Bolsonaro, perdeu apoio entre evangélicos, mulheres, jovens e na região Sudeste, conforme dados da pesquisa Quaest obtidos pelo g1. O detalhamento por região, sexo, idade, renda, escolaridade e religião ajuda a explicar a mudança de cenário captada nessa semana, quando o presidente Lula abriu 6 pontos de vantagem no segundo turno, consolidando um movimento que já vinha sendo observado em levantamentos anteriores.
A pesquisa revela que, entre os evangélicos, segmento historicamente alinhado ao bolsonarismo, o apoio a Flávio Bolsonaro caiu de 52% para 46% em relação ao mês anterior, enquanto Lula subiu de 38% para 42%. Entre as mulheres, a vantagem de Lula se ampliou de 8 para 12 pontos percentuais, com 48% das intenções de voto contra 36% do candidato do PL. Já entre os jovens de 16 a 24 anos, Lula lidera com 52%, ante 32% de Flávio Bolsonaro, uma diferença de 20 pontos que reflete a dificuldade do pré-candidato em conquistar esse eleitorado.
Panorama regional e impacto no Sudeste
Na região Sudeste, maior colégio eleitoral do país, Flávio Bolsonaro viu seu apoio recuar de 44% para 40%, enquanto Lula avançou de 42% para 46%. Esse movimento é particularmente significativo porque o Sudeste concentra cerca de 40% do eleitorado nacional e foi palco de vitórias apertadas de Lula em 2022. A perda de força entre eleitores com renda de até dois salários mínimos também chama atenção: Lula lidera com 54%, contra 32% de Flávio Bolsonaro, uma vantagem de 22 pontos que se mantém estável desde o início da série histórica.
O cenário político geral, marcado pela crise de saúde do ex-presidente Jair Bolsonaro e pela indefinição sobre sua elegibilidade, tem impactado diretamente a pré-candidatura de Flávio Bolsonaro. A recente sinalização de neutralidade do PSDB para a disputa presidencial de 2026, conforme reportado pelo portal Republica do Povo, pode abrir espaço para novas alianças, mas também fragmenta o campo da direita. Além disso, a classificação do PCC e do CV como organizações terroristas pelos EUA, sob a gestão de Donald Trump, ampliou a pressão sobre o Brasil e expôs divergências políticas entre os pré-candidatos, com Flávio Bolsonaro tentando capitalizar o tema da segurança pública, enquanto Lula defende a soberania nacional.
Os dados da Quaest indicam que, apesar dos esforços de Flávio Bolsonaro em se apresentar como herdeiro político do bolsonarismo, a erosão do apoio em bases tradicionais — como evangélicos e mulheres — sugere um desgaste que pode se aprofundar nas próximas semanas. A pesquisa, realizada entre os dias 10 e 14 de março, ouviu 2.000 eleitores em 120 municípios, com margem de erro de 2 pontos percentuais para mais ou para menos. O levantamento completo está disponível no site do g1.
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