Em artigo publicado no portal Folha de S.Paulo, a colunista Mafalda Anjos faz uma afirmação contundente: não espere encontrar uma previsão eleitoral confiável em pesquisas de intenção de voto. Segundo a autora, a realidade é bem diferente do que pensa a maioria das pessoas, e a proposta do presidente do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), Kassio Nunes Marques, de criar um selo de “acurácia” para os institutos de pesquisa mais precisos, seria um erro inaceitável.
A colunista argumenta que as pesquisas eleitorais, frequentemente tratadas como indicadores objetivos, são na verdade instrumentos sujeitos a erros metodológicos, viés de amostragem e influência de fatores externos, como o chamado “voto útil” ou a abstenção. Para ela, confiar cegamente nesses levantamentos é tão arriscado quanto consultar uma cartomante para saber o resultado de uma eleição.
A proposta de Kassio Nunes Marques, que prevê a criação de um selo de qualidade para institutos que acertarem as projeções, foi recebida com ceticismo por especialistas. A medida, segundo a colunista, ignora a complexidade do processo eleitoral e pode gerar uma falsa sensação de segurança entre eleitores e candidatos. Em vez de buscar uma “certificação” para pesquisas, o TSE deveria focar em transparência e educação do eleitor sobre os limites desses instrumentos.
O debate ocorre em um momento de crescente desconfiança em relação às instituições democráticas e aos mecanismos de aferição da vontade popular. A crítica de Mafalda Anjos ecoa um sentimento mais amplo na sociedade brasileira, que questiona a validade de dados estatísticos em um cenário político volátil e polarizado. A proposta de Kassio Nunes Marques, embora bem-intencionada, pode não ser suficiente para restaurar a credibilidade das pesquisas, que continuam sendo alvo de controvérsias a cada ciclo eleitoral.
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