PF aponta pai e tio de brasileiros sancionados pelos EUA como peça-chave no transporte de dinheiro para o PCC

Antes de se tornar um dos principais foragidos da Operação Exchange, Amauri Henrique de Oliveira já era apontado pela Polícia Federal como peça central na engrenagem financeira de um grupo suspeito de lavar dinheiro do tráfico internacional de drogas para o Primeiro Comando da Capital (PCC). Pai de Stella Stefanie Nunes Henrique de Oliveira e tio do empresário Victor Henrique de Oliveira Shimada — ambos alvos de sanções impostas pelo governo dos Estados Unidos na semana passada —, Amauri é descrito pelos investigadores como o responsável pelo apoio operacional e logístico da organização, com a missão de transportar e recolher grandes quantias de dinheiro em espécie.

Segundo a Polícia Federal, cabia a ele dar suporte à circulação do dinheiro vivo, uma das formas utilizadas pelo grupo para movimentar recursos de origem ilícita ao lado de empresas, contas bancárias e operações com criptomoedas. A importância atribuída a Amauri na investigação ganhou novo peso na terça-feira (7), quando a Justiça Federal decretou sua prisão preventiva. Na decisão, a juíza Monica Aparecida Bonavina Camargo afirmou que o investigado não foi localizado durante o cumprimento dos mandados da Operação Exchange e que sequer foi possível confirmar seu endereço, circunstâncias que, segundo a magistrada, justificam a prisão para garantir a aplicação da lei penal.

Operação Exchange e prisões decretadas

Além de Amauri, tiveram a prisão preventiva decretada Victor Henrique de Oliveira Shimada, Anderson Gonçalves Amaral, Diego Lameiro Diz, Romany Cutolo Bonente e Ygor Fokin Saviolli — este último, apesar de aparecer como não localizado no Brasil, está preso nos Estados Unidos desde janeiro. Na mesma decisão, a Justiça mandou soltar Stella e os outros seis detidos na operação. A Operação Exchange foi deflagrada na semana passada pela PF para desarticular uma organização criminosa suspeita de movimentar recursos do tráfico internacional de drogas por meio de empresas, contas bancárias, transporte de dinheiro em espécie e operações com criptomoedas. O g1 não localizou a defesa de Amauri até a última atualização desta reportagem.

O papel no esquema

De acordo com a investigação, Amauri integrava o núcleo responsável pela logística da organização criminosa. Enquanto Victor Shimada é apontado como o operador financeiro que utilizava dezenas de empresas para movimentar recursos e Ygor Fokin Saviolli aparece como um dos coordenadores da estrutura, Amauri seria o responsável por transportar valores em espécie e recolher dinheiro para abastecer o esquema. Na relação dos investigados elaborada pela Polícia Federal, ele é descrito como peça fundamental para a circulação de dinheiro vivo, método que, segundo as autoridades, dificulta o rastreamento dos recursos.

Panorama político e impacto das sanções

O caso ocorre em meio à escalada de tensões diplomáticas entre Brasil e Estados Unidos após a classificação de facções como PCC e Comando Vermelho (CV) como organizações terroristas pelo governo norte-americano. Em resposta, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva determinou que o Ministério da Fazenda avalie o impacto das sanções na economia brasileira, enquanto o ministro da Defesa, José Múcio, se reuniu com um assessor da Defesa de Donald Trump no Peru para discutir o tema. A Polícia Federal já prendeu uma brasileira sancionada pelos EUA em operação contra lavagem de dinheiro do PCC, e documentos revelam como as autoridades norte-americanas rastrearam brasileiros acusados de lavar R$ 156 milhões para a facção. As sanções geram preocupação no governo brasileiro, que vê risco de interferência externa, conforme declarou o ministro da Justiça, Ricardo Lewandowski.

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