PF aponta que empresário Augusto Lima cedeu avião particular para senador Jaques Wagner em viagem à Ilha da Paixão

A Polícia Federal identificou que o empresário Augusto Ferreira Lima colocou uma aeronave particular à disposição do senador Jaques Wagner para uma viagem à Ilha da Paixão, entre os dias 11 e 13 de outubro de 2023. A informação consta na decisão do ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal (STF), que autorizou a 9ª fase da Operação Compliance Zero, deflagrada nesta quinta-feira (18). A investigação apura um esquema bilionário de fraudes e corrupção ligado ao Banco Master, e aponta que o parlamentar teria recebido vantagens indevidas, como um apartamento em Salvador e R$ 3,5 milhões, em troca de atuação política no Congresso Nacional.

Segundo a PF, mensagens e áudios extraídos do celular de Augusto Lima mostram que os dois combinaram o encontro na ilha, apontada nos autos como propriedade do empresário. Para viabilizar o deslocamento, o empresário encaminhou ao senador o prefixo da aeronave e o horário previsto para o voo, que transportou o parlamentar e seus familiares entre Salvador e a Ilha da Paixão. O episódio é citado como um dos exemplos da relação de proximidade entre ambos e incluído entre os elementos analisados no âmbito da investigação.

Relação antiga e elevado grau de confiança

A autoridade policial aponta que a relação entre Jaques Wagner e Augusto Ferreira Lima seria antiga, próxima e marcada por elevado grau de confiança pessoal, circunstância que, em tese, teria criado ambiente propício à realização de tratativas reservadas em prol da defesa de interesses privados do Banco Master. A defesa de Augusto Lima afirmou que ele “sempre atuou dentro dos limites da lei, com transparência, responsabilidade”. Já a assessoria do senador Jaques Wagner foi procurada pela TV Globo, mas até a última atualização desta reportagem não obteve resposta.

O foco central desta fase da operação é a relação de proximidade entre Jaques Wagner e o ex-banqueiro Augusto Lima, dono do Banco Pleno e apontado como aliado estratégico de Daniel Vorcaro, dono do Banco Master. A investigação reúne mensagens, áudios, ligações telefônicas, contratos, comprovantes de transferências bancárias, registros de empresas, planilhas de pagamentos e dados extraídos de celulares apreendidos em fases anteriores da Operação Compliance Zero.

O caso ocorre em um contexto de crescente escrutínio sobre as relações entre agentes públicos e o setor financeiro, especialmente após a revelação de supostos esquemas de corrupção envolvendo grandes bancos. A Operação Compliance Zero já resultou em diversas fases, mirando suspeitas de fraudes em contratos, lavagem de dinheiro e tráfico de influência. A decisão do ministro André Mendonça reforça a atuação do STF em casos de foro privilegiado, enquanto a PF segue aprofundando as investigações sobre o suposto esquema bilionário.

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