A Polícia Federal (PF) aponta que o senador Weverton Rocha (PDT-MA) exercia papel central em uma complexa engrenagem de lavagem de dinheiro, atuando diretamente ao formular pedidos, indicar beneficiários, cobrar repasses, gerenciar imóveis e interferir em decisões patrimoniais. As conclusões constam de uma decisão do ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal (STF), que autorizou uma nova fase da Operação Sem Desconto, que investiga suspeitas de corrupção no Instituto Nacional do Seguro Social (INSS), envolvendo descontos indevidos em benefícios previdenciários.

Nesta terça-feira (4), policiais federais cumprem 18 mandados de busca e apreensão, expedidos pelo STF, no Distrito Federal e no Maranhão. O senador não foi alvo direto da operação, mas sua esposa, sua filha e duas irmãs estão entre os alvos dos mandados. A PF também mirou o advogado Willer Tomaz.

Segundo os investigadores, a análise do material telemático apreendido no celular de Weverton revelou um “quadro mais amplo”, caracterizado pelo fluxo de milhões de reais em contas pessoais, familiares e empresariais, além do uso de dinheiro em espécie e movimentações patrimoniais de alto valor. A PF afirma que Weverton é o “responsável por formular demandas, indicar beneficiários, cobrar pagamentos, acompanhar repasses, tratar de imóveis, orientar providências e interferir em decisões patrimoniais”.

Hub financeiro e patrimonial

A estrutura ligada a Willer Tomaz funcionava como um verdadeiro “hub financeiro, patrimonial e logístico” colocado à disposição dos beneficiários, entre eles o senador. A rede fornecia sustentação por meio de empresas, imóveis, aeronaves executivas, pilotos e operadores financeiros. No centro da operação, estava Fayla Zulmira Menezes, identificada na agenda de Weverton como “Financeiro WT Fayla Zulmira”.

Mensagens revelam que Fayla controlava saldos, executava transferências, encaminhava comprovantes, gerenciava entregas em dinheiro vivo e consultava Willer antes de atender a pedidos diretos do parlamentar. Diálogos reproduzidos no relatório da PF mostram que, entre setembro e outubro de 2024, Weverton cobrou expressamente um repasse de R$ 500 mil. Após consultar Willer, Fayla afirmou ao senador: “Informo que o valor já se encontra na conta PF da Dra Samya”, referindo-se a Samya Rocha, esposa do parlamentar.

Relatórios policiais revelaram que, no período analisado, Samya recebeu mais de R$ 11 milhões de empresas vinculadas a Willer Tomaz, sob a rubrica de contratos fictícios ou pagamentos sem causa aparente. A operação também mira o advogado Willer Tomaz, que teria atuado como operador financeiro do esquema.

Panorama político e desdobramentos

A nova fase da Operação Sem Desconto ocorre em um contexto de endurecimento das investigações sobre desvios no INSS, que já resultaram em prisões e afastamentos de servidores públicos. A decisão de Mendonça de retirar o sigilo da operação indica a gravidade das suspeitas, que envolvem não apenas o senador, mas também seus familiares e aliados políticos.

O caso ganha repercussão nacional por envolver um parlamentar em exercício, levantando debates sobre a necessidade de maior transparência e fiscalização no sistema previdenciário. A PF segue analisando o material apreendido, e novos desdobramentos são esperados nos próximos dias.

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