PF cumpre seu papel ao investigar, afirma Haddad sobre operação que mira senador petista Jaques Wagner

O pré-candidato do PT ao governo de São Paulo, Fernando Haddad, afirmou nesta sexta-feira (19) que a Polícia Federal (PF) “está no papel dela de investigar” ao comentar a apuração que envolve o senador Jaques Wagner (PT-BA), um dos alvos da 9ª fase da Operação Compliance Zero, que investiga as articulações do ex-banqueiro Daniel Vorcaro, do Banco Master, com o mundo político. Em sabatina à BandNews TV, o ex-ministro da Fazenda do governo Lula disse que as investigações devem avançar “doa a quem doer” e que todos os investigados têm o direito de apresentar esclarecimentos às autoridades.

“Se a PF tem dúvida em relação a quem quer que seja, está no papel dela investigar. O próprio senador Jaques Wagner falou isso: se a PF tem dúvida, o ministro do STF [André Mendonça, que é relator do caso e autorizou a operação] fez certo de apurar”, afirmou Haddad. Segundo ele, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) determinou desde o início das investigações que as instituições responsáveis pelo caso atuassem com independência.

Determinação de Lula por transparência total

“Desde o começo de toda essa história, Lula chamou Ministério Público, STF, Polícia Federal, Banco Central e Ministério da Fazenda e falou: ‘Eu quero tudo a limpo, doer a quem doer. Não interessa. Quero a limpo, porque estamos diante da maior fraude bancária do Brasil’”, disse Haddad. O petista também afirmou que a possibilidade de ser investigado não representa uma condenação e pode ser uma oportunidade para que os envolvidos apresentem sua versão dos fatos.

“Quando mais exposição a pessoa tiver, melhor para ela, se estiver segura dos seus atos, e se colocar à disposição das autoridades. Isso é o correto. No final do processo, quem errou tem que ser punido; quem se explicou é absolvido, nem é processado”, declarou. Haddad ainda citou outros nomes mencionados na investigação, entre eles o senador Flávio Bolsonaro (PL), e defendeu que qualquer pessoa sob suspeita tenha a oportunidade de prestar esclarecimentos.

Operação Compliance Zero e o caso Master

Jaques Wagner foi alvo da 9ª fase da Operação Compliance Zero, da Polícia Federal, que investiga um suposto esquema bilionário de fraudes, corrupção e lavagem de dinheiro relacionado ao Banco Master. A investigação apura a relação do senador com o ex-banqueiro Augusto Lima, apontado como aliado estratégico de Daniel Vorcaro, ex-dono do banco. Segundo a PF, Wagner teria recebido vantagens indevidas em troca de atuação política em favor de interesses do grupo financeiro.

O caso ganhou repercussão nacional por envolver figuras de diferentes espectros políticos, como os senadores Jaques Wagner (PT-BA) e Flávio Bolsonaro (PL-RJ), ambos citados em depoimentos e documentos da investigação. A operação também levanta questionamentos sobre a relação entre o sistema financeiro e o poder político no Brasil, especialmente após a quebra do Banco Master, considerada uma das maiores fraudes bancárias da história do país.

Haddad, ao comentar o cenário, reforçou a necessidade de que a lei seja aplicada de forma igualitária: “A lei tem que ser aplicada, independentemente da torcida”. A declaração ocorre em meio a um clima político tenso, com as eleições de 2026 se aproximando e o PT buscando se distanciar de qualquer suspeita de corrupção, enquanto a oposição utiliza o caso para criticar o governo Lula.

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