A Polícia Federal (PF) e o Ministério Público Federal (MPF) deflagraram, na manhã desta quinta-feira (25), a segunda fase da Operação Disclosure, para aprofundar as investigações sobre supostas fraudes contábeis estimadas em aproximadamente R$ 54 bilhões. A ação, que ocorre simultaneamente nas cidades do Rio de Janeiro e de São Paulo, cumpre nove mandados de busca e apreensão, incluindo buscas pessoais, e também determinou o sequestro de bens e valores em nome dos investigados até o limite de R$ 54 bilhões, conforme decisão da 10ª Vara Federal Criminal do Rio de Janeiro.
Segundo a PF, as investigações apontam que os suspeitos teriam conhecimento de supostas fraudes contábeis praticadas ao longo de anos, relacionadas a operações de risco sacado e a contratos de verba de propaganda cooperada (VPC) supostamente contabilizados sem lastro econômico. A nota oficial da corporação indica indícios dos crimes de manipulação de mercado e associação criminosa. A operação representa um desdobramento do escândalo que abalou o mercado financeiro brasileiro desde janeiro de 2023, quando a Americanas revelou um rombo contábil de R$ 20 bilhões, posteriormente revisado para o montante atual.
A primeira fase da Operação Disclosure foi deflagrada em junho de 2024, quando policiais federais cumpriram dois mandados de prisão preventiva e 15 de busca e apreensão contra ex-diretores da empresa Americanas. Na ocasião, também foram cumpridos o sequestro de bens e valores que somavam mais de R$ 500 milhões. As investigações contaram com a colaboração da atual diretoria da empresa, que forneceu documentos e informações cruciais para o avanço das apurações.
As fraudes investigadas envolvem operações de risco sacado, nas quais a varejista antecipava pagamentos a fornecedores por meio de empréstimos bancários, e contratos de verba de propaganda cooperada (VPC), que consistem em incentivos comerciais comuns no setor, mas que, no caso, eram contabilizadas sem lastro econômico real. A Justiça já havia mantido, em abril de 2026, a venda de ativos da Americanas para a Fan Store, como parte do processo de recuperação judicial da empresa.
O caso Americanas tornou-se um dos maiores escândalos corporativos da história do Brasil, envolvendo ex-executivos, acionistas de referência como os sócios da 3G Capital, e instituições financeiras. A operação desta quinta-feira reforça o esforço das autoridades em responsabilizar os envolvidos e recuperar os valores desviados, em meio a um cenário de crescente pressão por transparência e governança no mercado de capitais brasileiro.
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