A Polícia Federal (PF) indiciou o deputado Euclydes Pettersen (Republicanos-MG) e o ex-ministro da Previdência e ex-presidente do INSS no governo de Jair Bolsonaro, José Carlos Oliveira, sob suspeita de envolvimento em fraudes em aposentadorias e pensões. Os dois integram a lista de 48 indiciados por crimes como corrupção ativa e passiva, lavagem de dinheiro e organização criminosa, em um esquema que pode ter desviado R$ 6,3 bilhões entre 2019 e 2024.
As investigações da PF apontam que aposentados e pensionistas tinham parte de seus benefícios descontada por entidades associativas sem autorização. O esquema envolvia a Confederação Nacional dos Agricultores Familiares e Empreendedores Familiares Rurais do Brasil (Conafer), cujo presidente, Carlos Lopes, também foi indiciado e está foragido desde o ano passado. O irmão dele, Tiago Abraão Lopes, dirigente da Conafer, também consta no relatório policial.
O deputado Euclydes Pettersen, que não está em exercício segundo o registro da Câmara, foi alvo de busca e apreensão na Operação Sem Desconto em novembro de 2025, suspeito de receber propina para defender os interesses dos fraudadores. Já o ex-ministro José Carlos Oliveira, que mudou de nome para Ahmed Mohamad Oliveira, foi alvo da mesma operação. A PF aponta que ele destravou repasses de R$ 15,3 milhões para a Conafer, que estavam bloqueados dentro do INSS, e teria recebido ao menos R$ 550 mil em propina em troca de beneficiar entidades fraudadoras quando presidiu o INSS e foi ministro da Previdência.
Além do deputado e do ex-ministro, a PF indiciou o ex-presidente do INSS Alessandro Stefanutto — que assumiu o cargo no governo Lula —, o ex-procurador-geral do órgão Virgílio de Oliveira Filho, o ex-diretor de benefícios da autarquia André Fidelis e o lobista Antônio Carlos Camilo Antunes, conhecido como Careca do INSS. Esses quatro estão presos preventivamente desde o ano passado.
O caso expõe fragilidades no sistema previdenciário brasileiro e levanta questionamentos sobre a atuação de entidades associativas e a fiscalização do INSS. As investigações continuam, e a PF busca aprofundar o rastreamento dos recursos desviados, que podem ter afetado milhares de beneficiários em todo o país.
Fonte: ver noticia original

