A Polícia Federal solicitou à Agência Nacional do Cinema (Ancine) informações sobre o processo administrativo aberto contra a produtora Go Up Entertainment, responsável pelo filme “Dark Horse”, cinebiografia do ex-presidente Jair Bolsonaro. A agência terá 10 dias para encaminhar os documentos, conforme notificação feita na terça-feira (18).
O processo na Ancine foi aberto após uma denúncia sobre a gravação, em território brasileiro, de uma obra audiovisual estrangeira sem comunicação prévia à agência. Pela regulamentação, produções estrangeiras filmadas no Brasil precisam informar previamente a Ancine e apresentar documentos sobre a produção. Segundo a agência, a Go Up não havia apresentado a documentação exigida para as gravações. A empresa pode ser multada em R$ 2 mil a R$ 100 mil caso a irregularidade seja confirmada.
Investigação sobre financiamento
O pedido da PF ocorre em paralelo à investigação sobre o financiamento do filme. O Supremo Tribunal Federal (STF) autorizou, em julho, a abertura de um inquérito para apurar os repasses feitos pelo empresário Daniel Vorcaro, ex-controlador do Banco Master, para a produção. A investigação busca verificar se os recursos foram efetivamente utilizados para financiar “Dark Horse”.
A origem do caso está em mensagens e áudios divulgados pelo site Intercept Brasil, que indicam que o pré-candidato do PL à Presidência, Flávio Bolsonaro, teria pedido dinheiro a Vorcaro para financiar o filme. O valor inicialmente mencionado nas negociações chegou a US$ 24 milhões (cerca de R$ 134 milhões), embora os valores efetivamente transferidos sejam objeto da investigação.
A PF também investiga se parte dos recursos destinados ao filme teria sido utilizada para custear despesas de Eduardo Bolsonaro nos Estados Unidos, em vez de financiar a produção.
Panorama e desdobramentos
O “Dark Horse” é estrelado pelo ator americano Jim Caviezel e foi filmado em inglês. A produção ainda não tinha, até as últimas informações, pedido de registro para lançamento comercial no Brasil. Em nota, a Ancine afirmou que “reafirma seu compromisso com a transparência, o cumprimento da legislação e a regularidade do setor audiovisual brasileiro”.
O caso ganhou notoriedade em meio a um cenário político conturbado, com investigações que envolvem figuras ligadas ao ex-presidente e a movimentações financeiras de grande monta. A apuração da PF sobre a cinebiografia se soma a outras frentes de investigação que miram possíveis irregularidades em contratos e repasses, ampliando o escrutínio sobre as relações entre o núcleo político e o setor empresarial.
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