A Polícia Federal (PF) deflagrou uma operação nesta terça-feira (11) com diligências no Instituto de Previdência Municipal de Maceió (Iprev), em meio a uma investigação sobre a aplicação de R$ 117 milhões em fundos de investimento do Banco Master. A ação, que também contou com o apoio da Controladoria-Geral da União (CGU), cumpre mandados de busca e apreensão na sede do órgão e em outros endereços ligados ao caso, conforme informações apuradas pela reportagem.
As investigações apontam que o Iprev de Maceió teria realizado investimentos de alto risco no Banco Master, sem a devida comprovação de segurança e liquidez, o que pode configurar irregularidades na gestão dos recursos previdenciários. A PF busca agora identificar se houve desvio de finalidade, superfaturamento ou favorecimento indevido nas aplicações, que somam mais de R$ 117 milhões, valor que representa uma parcela significativa do patrimônio do fundo previdenciário municipal.
Panorama da investigação
As diligências desta terça-feira fazem parte de uma apuração mais ampla que já havia sido iniciada após denúncias de servidores públicos sobre possíveis irregularidades nas aplicações do Iprev. Em reportagens anteriores, o portal República do Povo revelou que a PF e a CGU já haviam cumprido oito mandados em Maceió por suspeitas de irregularidades na previdência municipal, e que a denúncia de servidores foi fundamental para que as investigações chegassem ao Banco Master e ao Nest Eagle, outra instituição envolvida no esquema.
O caso ganhou contornos políticos por envolver a gestão municipal de Maceió, atualmente comandada por João Henrique Caldas (JHC), que é pré-candidato ao governo de Alagoas nas eleições de 2026. Embora a investigação não cite diretamente o nome do pré-candidato, a operação ocorre em um momento delicado para sua pré-candidatura, uma vez que o Iprev é vinculado à prefeitura e as aplicações foram realizadas durante sua gestão à frente do Executivo municipal.
Impacto político e desdobramentos
A operação da PF ocorre em um cenário de acirramento da disputa política em Alagoas, com as eleições estaduais se aproximando. A investigação sobre o Iprev de Maceió pode se tornar um tema central no debate público, especialmente porque envolve a gestão de recursos destinados à aposentadoria de servidores municipais. Especialistas ouvidos pela reportagem destacam que a transparência na aplicação de recursos previdenciários é um ponto sensível para a opinião pública, e que qualquer indício de irregularidade pode gerar desgaste para os envolvidos.
Até o momento, o Iprev de Maceió não se manifestou oficialmente sobre as diligências. A PF informou que as investigações seguem em sigilo, mas que novas medidas podem ser adotadas nos próximos dias. A CGU, por sua vez, deve emitir um relatório detalhado sobre as aplicações, que será anexado ao inquérito policial.
O caso também reacende o debate sobre a necessidade de maior controle e fiscalização dos investimentos feitos por fundos previdenciários municipais em todo o país. Segundo dados do Ministério da Previdência, muitos municípios brasileiros têm aplicado recursos em instituições financeiras de médio e pequeno porte, o que aumenta o risco de perdas e de má gestão. A operação em Maceió pode servir de alerta para que outros órgãos de controle intensifiquem a supervisão desses investimentos.
A reportagem continuará acompanhando os desdobramentos do caso e trará novas informações assim que forem liberadas pelas autoridades competentes.
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