PF investiga pagamento a médicos fantasmas e realiza operação na Secretaria de Saúde de Cabedelo

A Polícia Federal deflagrou, nesta quinta-feira (26), uma operação na Secretaria de Saúde de Cabedelo, na Paraíba, para investigar a existência de supostos médicos fantasmas na rede municipal. A apuração foca no possível pagamento de salários a profissionais que não teriam prestado serviços efetivos à população, configurando indícios de fraude contra a administração pública. A ação, que cumpre mandados de busca e apreensão, foi autorizada pela Justiça Federal e integra um inquérito que tramita sob sigilo.

De acordo com as investigações, os valores envolvidos podem chegar a cifras milionárias, embora o montante exato ainda não tenha sido divulgado oficialmente. A Polícia Federal informou que os pagamentos irregulares teriam ocorrido ao longo dos últimos anos, com indícios de que os supostos médicos não compareciam aos postos de saúde ou hospitais da rede municipal, mas continuavam recebendo salários normalmente. A operação mobilizou agentes em diferentes endereços ligados à secretaria e a possíveis envolvidos, incluindo servidores públicos e terceiros.

Panorama político e impacto na gestão pública

O caso ganha relevância em um contexto de crescente escrutínio sobre a gestão de recursos públicos na saúde, setor que já enfrenta desafios históricos de transparência e eficiência no Brasil. Em Cabedelo, município da região metropolitana de João Pessoa, a suspeita de médicos fantasmas levanta questionamentos sobre a fiscalização dos contratos e a responsabilidade de gestores locais. A Secretaria de Saúde de Cabedelo, por meio de nota, afirmou que colabora com as investigações e que instaurou uma sindicância interna para apurar os fatos, mas não comentou detalhes sobre os nomes dos envolvidos ou os valores específicos.

Especialistas em administração pública ouvidos pela reportagem destacam que casos como este reforçam a necessidade de mecanismos mais rigorosos de controle, como sistemas de ponto eletrônico e auditorias periódicas. A operação da Polícia Federal também ocorre em um momento de debate nacional sobre a alocação de verbas para a saúde, especialmente após a pandemia de Covid-19, que expôs fragilidades na gestão de pessoal e no combate a fraudes. Em âmbito local, a investigação pode impactar a confiança da população na gestão municipal, que já enfrenta críticas de oposição e de entidades da sociedade civil.

A Polícia Federal não descarta novas fases da operação, que podem incluir a oitiva de testemunhas e a análise de documentos apreendidos. Até o momento, não há informações sobre prisões ou afastamentos de servidores, mas as autoridades reforçam que o inquérito segue em andamento para identificar todos os responsáveis. O caso, que tem como base a denúncia de supostos médicos fantasmas, promete gerar desdobramentos políticos e jurídicos nos próximos meses, especialmente com a aproximação das eleições municipais.

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