PF investiga vídeos misóginos que incitam violência contra mulheres

Polícia Federal investiga vídeos no TikTok que incitam violência contra mulheres. AGU acionou corporação após denúncias sobre conteúdo misógino que simula agressões.

Tomaz Silva/Agência Brasil
PF investiga vídeos misóginos que incitam violência contra mulheres

A Polícia Federal abriu investigação sobre uma onda de vídeos no TikTok que apologia à violência contra mulheres, após receber denúncias formalizadas sobre o conteúdo que circula na plataforma.

A Advocacia-Geral da União (AGU) acionou a corporação na segunda-feira para investigar quatro perfis identificados como criadores do material. A PF solicitou à plataforma a preservação de dados e remoção dos vídeos, enquanto agentes identificavam mais publicações relacionadas ao tema.

A trend viralizava cenas onde homens simulavam socos, chutes e facadas em mulheres que supostamente rejeitassem aproximações românticas. Os criadores do conteúdo podem responder por incitação a feminicídio, ameaça, lesão corporal e violência psicológica, conforme análise da AGU.

O TikTok confirmou que removeu os vídeos por violarem suas Diretrizes da Comunidade e informou que sua equipe de moderação reforça buscas por conteúdos similares na plataforma para identificação e exclusão.

Movimento crescente nas comunidades online

Esse tipo de conteúdo misógino ganhou força em espaços como grupos da “machosfera”, redpills e incels, onde homens que se consideram prejudicados pela sociedade pregam discriminação e violência contra mulheres. O fenômeno não é novo, mas ampliou seu alcance nos últimos dez anos.

Eunice Guedes, pesquisadora da Articulação de Mulheres Brasileiras e professora da Universidade Federal do Pará, observa que o discurso misógino antes tinha pouca penetração em mídias corporativas e setores governamentais. “De uns 10 anos para cá, isso tem se acirrado ainda mais”, afirma a militante.

Necessidade de criminalização da misoginia

Eunice Guedes defende que o Brasil precisa de leis específicas contra misoginia para punir criadores de conteúdo violento. Porém, ressalta que apenas legislação não resolve o problema sem atuação da sociedade em mudança cultural profunda.

“Não basta só a punição. A gente precisa pensar em prevenção, em mudança de paradigmas, em mudança de culturas, em mudança de concepções”, argumenta a pesquisadora, destacando a responsabilidade de organizações sociais nesse processo.

Contexto de aumento da violência

A investigação ocorre em momento crítico: o Brasil registra quatro feminicídios por dia, conforme dados do Ministério da Justiça e Segurança Pública. Essa realidade reforça a urgência de ações contra conteúdos que romantizam ou incentivam agressões contra mulheres.

Canais para denúncias

Mulheres vítimas de violência podem acessar a Central de Atendimento à Mulher – Ligue 180, serviço gratuito disponível 24 horas pelo telefone, WhatsApp (61) 9610-0180 e e-mail central180@mulheres.gov.br.

Denúncias também são aceitas nas Delegacias Especializadas de Atendimento à Mulher (Deam), delegacias comuns, Casas da Mulher Brasileira, além dos números Disque 100 (violações de direitos humanos) e 190 (ocorrências policiais).

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