PF mira executivos de Itaú, Bradesco e Santander em nova fase da investigação sobre fraude na Americanas

A Polícia Federal deflagrou nesta quinta-feira (26) a segunda fase da Operação Disclosure, que investiga uma suposta fraude bilionária envolvendo a varejista Americanas. Desta vez, os alvos são executivos dos bancos Itaú, Bradesco e Santander, suspeitos de terem ajudado a ocultar o real endividamento da companhia, que ultrapassa R$ 54 bilhões. A Justiça determinou o bloqueio de bens dos investigados no mesmo montante.

A investigação, que corre em segredo de Justiça, apura se representantes das três instituições financeiras participaram de um esquema de maquiagem contábil para esconder o passivo da Americanas. Segundo a PF, os executivos teriam atuado em conluio com ex-diretores da varejista para fraudar balanços e enganar investidores e o mercado financeiro entre 2019 e 2022. A operação cumpre mandados de busca e apreensão em endereços ligados aos investigados em São Paulo, Rio de Janeiro e Brasília.

Panorama político e econômico

O escândalo da Americanas, revelado em janeiro de 2023, já provocou uma crise de confiança no mercado de capitais brasileiro e levou a varejista a pedir recuperação judicial. A participação de grandes bancos na suposta fraude amplia o alcance do caso, que envolve não apenas a empresa, mas também instituições sistemicamente importantes para o sistema financeiro nacional. A Operação Disclosure, que teve sua primeira fase em fevereiro de 2024, mira agora a responsabilidade de agentes externos à companhia, o que pode redefinir a regulação do setor e aumentar a pressão por reformas na governança corporativa.

O bloqueio de R$ 54 bilhões em bens, autorizado pela 10ª Vara Federal Criminal do Rio de Janeiro, é um dos maiores já registrados em investigações de fraudes contábeis no país. A medida visa garantir o ressarcimento de investidores e credores, que incluem fundos de pensão, acionistas minoritários e fornecedores. A PF também investiga se os executivos bancários receberam vantagens indevidas para ocultar os números reais da Americanas.

A segunda fase da operação ocorre em meio a um cenário de endurecimento da fiscalização sobre o mercado financeiro, com a Comissão de Valores Mobiliários (CVM) e o Banco Central atuando em conjunto com a Polícia Federal. O caso Americanas já gerou ações civis públicas e criminais contra dezenas de pessoas, e a nova etapa pode levar a novas denúncias formais. A expectativa é que os desdobramentos da investigação impactem a reputação dos bancos envolvidos e acelerem a tramitação de projetos de lei que visam aumentar a transparência e a punição por fraudes contábeis no Brasil.

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