Em nova etapa da investigação sobre o Banco Master, Daniel Vorcaro, ex-dono da instituição financeira, presta depoimento à Polícia Federal (PF) por videoconferência na manhã desta quinta-feira (27). A oitiva, marcada para as 10h, ocorre após a operação que teve o ex-banqueiro como alvo e em meio às apurações sobre sua relação com dois servidores do Banco Central (BC) suspeitos de receber vantagens indevidas e de atuar em favor do banco durante o processo que culminou na liquidação da instituição.
O depoimento acontece depois que não avançaram as negociações para um acordo de colaboração premiada, mecanismo pelo qual investigados fornecem informações às autoridades em troca de possíveis benefícios previstos em lei. Daniel Vorcaro está preso preventivamente desde março deste ano. Antes disso, ele já havia sido preso na primeira fase da Operação Compliance Zero, em novembro de 2025, mas foi solto dias depois por decisão do TRF-1.
O foco da investigação
O inquérito concentra-se na atuação dos ex-supervisores do Banco Central Paulo Sérgio Neves de Souza e Bellini Santana, que, segundo a investigação, mantinham relação próxima com Vorcaro quando o Banco Master enfrentava uma crise de liquidez e passava por fiscalização da autoridade monetária. Conforme a Polícia Federal e o Banco Central, há suspeitas de que os dois servidores tenham recebido vantagens financeiras e atuado para beneficiar o então banqueiro em discussões internas sobre fiscalização, socorro financeiro e medidas que poderiam afetar o futuro da instituição.
As suspeitas ganharam força a partir de apurações realizadas pelo próprio Banco Central e de depoimentos prestados à Polícia Federal pelo diretor de Fiscalização da instituição, Ailton de Aquino. Segundo ele, as dúvidas sobre o Banco Master surgiram no início de 2025, quando a instituição, embora enfrentasse dificuldades de liquidez, continuava realizando operações de cessão de crédito ao Banco de Brasília (BRB) em volumes bilionários. Aquino relatou que uma equipe do Departamento de Monitoramento concluiu posteriormente que carteiras de crédito apresentadas pelo banco não existiam.
A investigação interna levou o Banco Central a comunicar o Ministério Público Federal, que repassou o caso à Polícia Federal. De acordo com o diretor, as suspeitas sobre as operações já haviam chegado à área de supervisão comandada por Bellini Santana e acompanhada por Paulo Sérgio. Ainda assim, segundo o depoimento, as medidas necessárias não foram tomadas.
Panorama e desdobramentos
O caso Banco Master se tornou um dos maiores escândalos financeiros do país, com desdobramentos que abalaram o sistema bancário e geraram repercussão política. A operação da PF e as investigações em curso expõem a fragilidade dos mecanismos de fiscalização e a necessidade de apuração rigorosa de possíveis conluios entre agentes públicos e instituições privadas. A situação também reacende o debate sobre a regulação do setor financeiro e a transparência nas relações entre o Banco Central e os bancos sob sua supervisão.
Em meio a esse cenário, outros casos de corrupção e má gestão financeira têm sido alvo de investigações, como a delação de Vorcaro e o escândalo do Banco Master, que expõem fissuras na oposição e geram críticas a figuras públicas que se aproximaram do banqueiro. A expectativa é que o depoimento desta quinta-feira traga novos esclarecimentos sobre o esquema e ajude a elucidar a participação de cada envolvido.
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