A **Polícia Federal (PF)** realizou uma reestruturação significativa em suas investigações sobre fraudes em aposentadorias e pensões do **Instituto Nacional do Seguro Social (INSS)**, no âmbito da **Operação Sem Desconto**, transferindo a responsabilidade das apurações. O caso, que antes estava sob a alçada do **Delegado Guilherme Figueiredo Silva**, da **Divisão de Repressão a Crimes Previdenciários (DPrev)**, foi realocado para o grupo de elite que investiga políticos com foro especial no **Supremo Tribunal Federal (STF)**, a **Coordenação de Inquéritos em Tribunais Superiores (Cinq)**. A mudança, ocorrida há cerca de duas semanas, gerou surpresa no meio investigativo, apesar de a PF justificar a medida como um esforço para assegurar maior eficiência e continuidade às investigações, conforme apurou o g1.
A alteração na condução da **Operação Sem Desconto** representa uma mudança estratégica na abordagem da **PF**. Anteriormente, a **DPrev** operava dentro da **Coordenação-Geral de Repressão a Crimes Fazendários (CGFaz)**. Agora, o **Cinq**, a nova área responsável, está inserido na **Coordenação-Geral de Repressão à Corrupção, Crimes Financeiros e Lavagem de Dinheiro (CGRC)**. Em nota oficial, a **PF** declarou que a transferência “foi concebida para assegurar maior eficiência e continuidade às investigações” e que “não houve alteração na equipe que conduz as investigações”. Contudo, fontes próximas às apurações, conforme revelado pelo g1, indicam que a decisão administrativa aponta a **CGRC** como a estrutura mais adequada para investigar as fraudes e desvios no **INSS** devido ao envolvimento de suspeitas de corrupção de agentes com foro privilegiado.
A realocação das investigações tem um impacto direto nas apurações que vinham sendo conduzidas pelo **Delegado Guilherme Silva**, especialmente aquelas que acompanhavam o eventual envolvimento de **Fábio Luís Lula da Silva**, o **Lulinha**, filho do presidente **Luiz Inácio Lula da Silva**, com o lobista **Antônio Carlos Camilo Antunes**, conhecido como **Careca do INSS**. Uma das principais linhas de suspeita é que **Careca**, que se encontra preso preventivamente desde o ano passado, teria utilizado recursos desviados do **INSS** para contratar **Lulinha** para atuar em sua empresa de cannabis medicinal. A surpresa em torno da mudança é compreensível, dado o conhecimento aprofundado que o **Delegado Guilherme Silva** possuía sobre o caso e sua visão geral de todos os inquéritos como coordenador.
A **Operação Sem Desconto** já alcançou figuras proeminentes em diversos setores. Entre os alvos estão ex-dirigentes do **INSS**, empresários e donos de associações e sindicatos que estariam envolvidos em descontos indevidos em aposentadorias. Além disso, políticos foram alvo de mandados de busca e apreensão, incluindo os deputados **Euclydes Pettersen** (Republicanos-MG) e **Gorete Pereira** (MDB-CE), e o senador **Weverton Rocha** (PDT-MA). Todos os mencionados negam veementemente qualquer envolvimento em irregularidades. A complexidade do caso é evidenciada pelas tratativas para acordos de colaboração premiada, das quais o **Delegado Silva** participou. Um desses acordos, com o empresário **Maurício Camisotti**, já foi assinado com a **PF** e aguarda homologação pelo **Supremo**. Outros dois acordos, com o ex-procurador-geral do **INSS** **Virgílio de Oliveira Filho** e o ex-diretor do **INSS** **André Fidelis**, ainda não foram formalizados com a **PF**.
Este movimento da **Polícia Federal** ocorre em um cenário político-jurídico de intensa volatilidade, onde investigações de grande porte que tocam em figuras com influência política são constantemente observadas e, por vezes, questionadas. A transferência de inquéritos para unidades especializadas em foro privilegiado pode ser vista como um reforço técnico, mas também levanta debates sobre a continuidade e a independência das apurações, especialmente quando há um delegado com vasto conhecimento do caso sendo realocado. A transparência e a robustez dessas investigações são cruciais para a credibilidade das instituições, em um momento em que o país acompanha de perto o desenrolar de casos sensíveis no judiciário, como a condenação veemente pelo **STF** de vazamentos de conversas de banqueiro em meio a julgamento crucial, que ressalta a tensão entre sigilo, investigação e a esfera pública.
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