PF revela que banqueiro Vorcaro pagava até R$ 2 milhões a influenciadores para atacar o Banco Central

A Polícia Federal (PF) revelou que uma organização criminosa atribuída ao banqueiro Daniel Vorcaro pagava influenciadores digitais para atacar o Banco Central (BC) nas redes sociais, com ofertas que chegavam a R$ 2 milhões. A informação consta de decisão do ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal (STF), assinada nesta quinta-feira (9), que deflagrou mais uma fase da operação. O esquema visava desacreditar a autarquia e suas políticas monetárias, em um contexto de tensão entre o mercado financeiro e o governo federal.

Segundo a PF, os pagamentos eram feitos para que influenciadores com grande alcance digital publicassem conteúdos críticos ao BC, muitas vezes com informações distorcidas ou falsas. A investigação aponta que Daniel Vorcaro, dono do banco Vorcaro, teria coordenado as ações para minar a credibilidade da instituição, especialmente após decisões que afetaram os lucros de grandes bancos. Os valores variavam de acordo com o alcance do influenciador, podendo chegar a R$ 2 milhões por campanha.

Panorama político e institucional

O caso ocorre em um momento de forte debate sobre a regulação do sistema financeiro e a atuação do Banco Central. Nos últimos meses, a autarquia tem sido alvo de críticas de setores do mercado e de políticos ligados ao governo, que questionam a taxa básica de juros e a política de câmbio. A revelação de que uma organização criminosa estaria financiando ataques coordenados levanta suspeitas sobre a existência de uma rede de desinformação com objetivos econômicos e políticos.

A decisão do ministro André Mendonça autorizou buscas e apreensões em endereços ligados a Daniel Vorcaro e a influenciadores envolvidos. A PF também investiga se os recursos usados nos pagamentos têm origem ilícita, como lavagem de dinheiro ou evasão de divisas. O Banco Central ainda não se manifestou oficialmente, mas fontes internas indicam que a instituição acompanha o caso com preocupação.

Especialistas em direito digital e regulação financeira apontam que o esquema pode configurar crime de manipulação do mercado de capitais, além de associação criminosa. A Polícia Federal estima que os valores movimentados ultrapassem R$ 10 milhões nos últimos dois anos, com influenciadores de diferentes portes sendo recrutados para amplificar o discurso contra o BC. A operação desta quinta-feira é mais um capítulo de uma investigação que começou em 2023, após denúncias de que mensagens falsas estavam sendo espalhadas sobre a saúde financeira do sistema bancário brasileiro.

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