PGE contesta censura de Kassio a pesquisa que apontou queda de Flávio Bolsonaro após caso Dark Horse

A Procuradoria-Geral Eleitoral (PGE) manifestou-se contra a decisão do presidente do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), Kassio Nunes Marques, que censurou a pesquisa Atlas/Bloomberg apontando queda do pré-candidato do PL à Presidência, Flávio Bolsonaro, após o caso Dark Horse. Em parecer encaminhado ao TSE, a PGE defendeu a validade do levantamento e argumentou que a suspensão viola princípios constitucionais de liberdade de expressão e de informação, especialmente em período eleitoral.

A pesquisa, divulgada em maio de 2026, indicou que Flávio Bolsonaro caiu seis pontos percentuais nas intenções de voto para o segundo turno, ficando sete pontos atrás do ex-presidente Lula (PT). O levantamento foi realizado após a revelação do caso Dark Horse, que envolve supostas irregularidades financeiras na campanha do pré-candidato do PL. A decisão de Kassio Nunes Marques de suspender a divulgação dos dados gerou reações de entidades de imprensa e de partidos políticos, que viram na medida um precedente perigoso para a liberdade de informação.

Panorama político e jurídico

A manifestação da PGE ocorre em meio a um acirrado debate sobre os limites da atuação da Justiça Eleitoral na regulação de pesquisas de opinião. Enquanto o PT recorreu à Procuradoria-Geral da República (PGR) para tentar suspender a exibição de um filme sobre o ex-presidente Jair Bolsonaro durante as eleições, a defesa de Flávio Bolsonaro alega que a pesquisa Atlas/Bloomberg foi manipulada para beneficiar adversários políticos. A PGE, no entanto, destacou que a pesquisa seguiu todos os requisitos legais e metodológicos, e que a censura imposta por Kassio Nunes Marques não encontra amparo na legislação eleitoral.

O caso também reacendeu o debate sobre a atuação do TSE em períodos eleitorais. Em decisões anteriores, a corte já havia sido criticada por restringir a divulgação de dados considerados sensíveis, mas a suspensão de uma pesquisa com base em alegações de parcialidade sem provas concretas foi vista como um exagero por juristas e analistas políticos. A PGE, em seu parecer, reforçou que a liberdade de informação é um pilar do estado democrático de direito e que decisões como a de Kassio Nunes Marques podem comprometer a transparência do processo eleitoral.

Enquanto isso, o PL tenta minimizar o impacto da pesquisa, argumentando que a queda de Flávio Bolsonaro é temporária e que o pré-candidato ainda mantém vantagem em cenários de primeiro turno. No entanto, os dados da Atlas/Bloomberg indicam que o caso Dark Horse pode ter um efeito duradouro na percepção do eleitorado, especialmente entre os indecisos. A decisão final sobre a validade da pesquisa caberá ao plenário do TSE, que deve julgar o recurso da PGE nos próximos dias.

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