O procurador-geral da República, Paulo Gonet, afirmou, em parecer enviado ao Supremo Tribunal Federal (STF), que o ministro André Mendonça deve ser o relator de um pedido para investigar valores repassados ao filme “Dark Horse”, solicitados pelo senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) ao ex-banqueiro Daniel Vorcaro, do Banco Master. A manifestação da Procuradoria-Geral da República (PGR) ocorre após o deputado Lindbergh Farias (PT-RJ) apresentar o requerimento no inquérito relatado pelo ministro Alexandre de Moraes, que já levou à condenação de Eduardo Bolsonaro por coação à Justiça. Agora, caberá ao presidente do STF, Luiz Edson Fachin, decidir se mantém o caso com Moraes, transfere a Mendonça ou realiza um sorteio entre os ministros da Corte.
O pedido de investigação foi apresentado por Lindbergh Farias no âmbito do inquérito que apura a atuação internacional de Eduardo Bolsonaro, sob o argumento de que o financiamento do filme estaria relacionado a esse contexto. Antes de decidir sobre a abertura ou não da investigação, Alexandre de Moraes solicitou a manifestação da PGR. No parecer, Paulo Gonet sustenta que há uma conexão direta entre os fatos apontados por Lindbergh e as apurações do caso Master, que já tramitam sob a relatoria de André Mendonça. “O episódio a que se refere a representação, entretanto, já é objeto de procedimento próprio na Suprema Corte, que tramita sob a supervisão do eminente ministro André Mendonça”, afirmou o procurador-geral.
Impacto no cenário político e jurídico
A decisão sobre a relatoria do caso tem implicações significativas no cenário político e jurídico brasileiro. O senador Flávio Bolsonaro, pré-candidato à Presidência pelo PL, é um dos principais nomes da oposição ao governo Lula, e qualquer investigação envolvendo sua família pode influenciar o debate eleitoral. A equipe de Flávio Bolsonaro já se manifestou sobre o parecer da PGR, destacando que “o Procurador-Geral da República, Paulo Gonet, apresentou manifestação ao Supremo Tribunal Federal (STF) defendendo que o ministro Alexandre de Moraes seja declarado incompetente para conduzir o julgamento relacionado ao caso Dark Horse. No parecer, Gonet sustenta que o processo deve ser redistribuído ao ministro André Mendonça, apontado como prevento para analisar a matéria”.
O caso também expõe as tensões internas no STF, onde diferentes ministros têm atuado em investigações de grande repercussão. Enquanto Alexandre de Moraes é relator de inquéritos que miram aliados do ex-presidente Jair Bolsonaro, André Mendonça, indicado por ele, tem uma atuação mais alinhada ao campo conservador. A redistribuição do caso para Mendonça poderia alterar o rumo das investigações, especialmente em um momento em que o Congresso debate a regulação das redes sociais e a atuação do Judiciário.
O presidente do STF, Luiz Edson Fachin, agora tem a palavra final. Ele pode optar por manter o caso com Moraes, transferi-lo a Mendonça ou realizar um sorteio entre os ministros da Corte. A decisão deve ocorrer nos próximos dias, e será acompanhada de perto por parlamentares, juristas e pela opinião pública, dado o potencial de impacto nas investigações sobre o financiamento do filme “Dark Horse” e suas conexões com o caso Master.
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