O presidente do Banco Central (BC), Gabriel Galípolo, defendeu nesta quinta-feira (16) o PIX como um meio de pagamento “gratuito”, “seguro” e “instantâneo”, com enorme potencial de inclusão financeira para a população brasileira, durante coletiva de imprensa convocada para rebater os argumentos apresentados pelos Estados Unidos para nova ofensiva tarifária ao Brasil. Ao lado de ministros do governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), Galípolo participou da coletiva após o governo de Donald Trump confirmar, na madrugada desta quinta, a aplicação de uma tarifa adicional de 25% sobre produtos brasileiros, após conclusão de investigação comercial conduzida pelo Escritório do Representante Comercial dos EUA (USTR, na sigla em inglês).
Na investigação comercial, o governo americano acusa o Brasil de adotar práticas que “oneram ou restringem” o comércio com os EUA, citando temas como o PIX. O USTR afirmou que o Banco Central brasileiro favorece o sistema de pagamentos em detrimento de empresas americanas que atuam no setor, e criticou o BC por atuar simultaneamente como regulador e operador do sistema, o que limitaria a atuação de concorrentes.
Defesa do PIX e impacto econômico
Galípolo destacou que o PIX é benéfico para todos os setores: “Quando a gente olha para as alternativas e o que aconteceu no mercado, quem perde espaço são os cheques e o dinheiro físico, o que é absolutamente desejável para todos. O custo de transação de você levar fisicamente cheques ou dinheiro físico é altíssimo. Então, o caso da implementação do PIX, ele consegue se configurar como um desses em que ele é benéfico para quem demanda e para quem oferta para o setor público e para o setor privado”. O presidente do BC também afirmou que a instituição trabalhará pela ampliação de termos de cooperação técnica para que o PIX chegue a outros países, inclusive aos Estados Unidos. “O Banco Central já assinou com mais de 47 outros bancos centrais termos de cooperação técnica para que o Banco Central possa transferir tecnologia e esses outros bancos centrais possam desenvolver o seu sistema de pagamento instantâneo”, disse Galípolo.
O governo brasileiro anunciou que 18% das exportações brasileiras aos EUA, que correspondem a US$ 7,4 bilhões, serão afetadas pela tarifa adicional. O vice-presidente e ministro do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços, Geraldo Alckmin, afirmou que o governo terá um programa de apoio para empresas que tiverem problemas com as novas taxas dos EUA sobre o Brasil. A tarifa de 25% foi aplicada após investigação do USTR que apontou práticas brasileiras que “oneram ou restringem” o comércio com os EUA, incluindo o PIX como um dos pontos de contestação.
O panorama político geral indica uma escalada nas tensões comerciais entre Brasil e Estados Unidos, com o governo Lula buscando defender instrumentos de política econômica interna, como o PIX, enquanto enfrenta pressões externas. A defesa do sistema de pagamentos instantâneos por Galípolo, ao lado de ministros, sinaliza uma postura unificada do governo brasileiro em proteger inovações financeiras que beneficiam a população, mesmo diante de críticas internacionais. A situação também reflete o contexto de disputas comerciais globais, onde tecnologias nacionais podem ser alvo de investigações por suposto protecionismo.
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