Plano de governo de Renan Santos propõe ‘desfavelização’, guerra ao crime organizado, fusão de municípios e fim do Bolsa Família

O pré-candidato à Presidência da República Renan Santos (Missão) apresentou nesta terça-feira (21) o seu plano de governo para as eleições de 2026, com propostas que incluem a ‘desfavelização’ do Brasil, guerra ao crime organizado, fusão de municípios e o fim do programa Bolsa Família, substituído por frentes de trabalho remuneradas. O documento, intitulado ‘O futuro é glorioso’, é inspirado no governo de Nayib Bukele, presidente de El Salvador, e prevê a construção de presídios de segurança máxima e uma lei penal específica para integrantes de facções criminosas.

Na área econômica, o plano cita um forte ajuste fiscal com redução dos gastos do governo, reformas para aumentar a produtividade e a transformação do Nordeste em um polo de desenvolvimento industrial. O Missão defende como medida urgente a aprovação de uma Proposta de Emenda à Constituição (PEC) para fazer com que aposentadorias e benefícios previdenciários deixem de acompanhar os reajustes do salário mínimo e passem a ser corrigidos apenas pela inflação, além de acabar com a obrigação de destinar um percentual mínimo da arrecadação com impostos para saúde e educação. Outras medidas seriam mudar regras do abono salarial, reduzir isenções tributárias e acabar com supersalários no funcionalismo público. A chamada ‘PEC do Equilíbrio Fiscal’ prevê uma economia de R$ 1,1 trilhão até 2031.

Fusão de municípios e fim de favelas

A proposta de reduzir o número de municípios é chamada de ‘grande consolidação’ e visa unir cidades consideradas ‘fiscalmente inviáveis’, segundo o plano. A meta é sair dos atuais 5.570 para cerca de 1,6 mil municípios. Renan Santos propõe acabar com as favelas do Brasil em dez anos, por meio da regularização de áreas irregulares, financiamento imobiliário com juros subsidiados e prazo de até 50 anos, monitoramento por satélite para evitar novas ocupações e da criação do crime de ‘favelização’, focado em punir grileiros, milícias e quem organiza lotes irregulares.

O plano de governo de Renan Santos é uma versão resumida do ‘Livro Amarelo’, conjunto de seis fascículos em que o Missão, partido criado pelos integrantes do Movimento Brasil Livre (MBL), apresenta seu projeto para o Brasil. Renan foi confirmado pelo Missão como candidato à Presidência na segunda-feira (20), durante convenção realizada por vídeoconferência. O partido vai promover um evento no dia 1º de agosto, em São Paulo, para apresentar publicamente a candidatura e as propostas do ‘Livro Amarelo’.

Pesquisa Quaest divulgada na semana passada mostra que ele tem 3% das intenções de voto. O presidente Lula (PT) lidera a disputa com 40%, seguido de Flávio Bolsonaro (PL), com 28%, e Ronaldo Caiado, com 4%. O panorama político geral indica que a candidatura de Renan Santos busca se posicionar como uma alternativa de direita radical, com propostas de ruptura institucional e fiscal, em um cenário dominado por Lula e Bolsonaro. A proposta de fusão de municípios e fim do Bolsa Família, somada à inspiração em Bukele, pode gerar forte reação de setores sociais e políticos, especialmente no Nordeste, onde o Missão tenta se consolidar como polo de desenvolvimento industrial.

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