Polícia Civil de Alagoas deflagra operação de grande escala contra organizações criminosas em múltiplas regiões

A Polícia Civil de Alagoas deflagrou, nesta quarta-feira (26), uma operação de grande escala contra organizações criminosas que atuam em múltiplas regiões do estado, cumprindo mandados de busca e apreensão, prisão preventiva e sequestro de bens. A ação, coordenada pela Diretoria de Polícia Judiciária (DPJ) e pelo Departamento de Repressão à Corrupção e ao Crime Organizado (Dracco), mobilizou centenas de agentes em cidades como Maceió, Arapiraca, Penedo e Palmeira dos Índios, com o objetivo de desarticular facções envolvidas em tráfico de drogas, homicídios e lavagem de dinheiro.

De acordo com o delegado-geral da Polícia Civil, Paulo Cerqueira, a operação é resultado de investigações que duraram mais de seis meses, com base em interceptações telefônicas, quebras de sigilo bancário e fiscal, além de colaboração de testemunhas. “Estamos mirando no núcleo financeiro dessas organizações, que financiava a compra de armas e o pagamento de sicários. O sequestro de bens, incluindo imóveis, veículos de luxo e contas bancárias, visa sufocar a capacidade de reinvestimento no crime”, afirmou Cerqueira em coletiva de imprensa.

Detalhes da operação e impacto social

Foram cumpridos 32 mandados de busca e apreensão e 18 mandados de prisão preventiva, além do sequestro de R$ 4,2 milhões em bens, entre eles cinco imóveis em bairros nobres de Maceió, três veículos de alto padrão (dois modelos BMW e um Land Rover) e 12 contas bancárias vinculadas a laranjas. As investigações apontam que as facções utilizavam empresas de fachada, como postos de combustíveis e lojas de materiais de construção, para lavar o dinheiro do tráfico. A operação também apreendeu 15 kg de cocaína, 8 kg de maconha e 4 armas de fogo, incluindo um fuzil AR-15.

O secretário de Segurança Pública de Alagoas, Flávio Saraiva, destacou que a ação representa um duro golpe contra o crime organizado, mas alertou para a necessidade de políticas públicas de prevenção. “Não basta prender. Precisamos de investimentos em educação, geração de emprego e inclusão social para que jovens não sejam cooptados por essas facções. A segurança pública é um esforço conjunto”, declarou Saraiva.

Panorama político e contexto regional

A operação ocorre em um momento de tensão política em Alagoas, onde o governador Paulo Dantas (MDB) enfrenta críticas da oposição sobre a eficácia das ações de segurança. Dados do Fórum Brasileiro de Segurança Pública indicam que Alagoas registrou 1.234 homicídios em 2024, uma redução de 8% em relação a 2023, mas ainda acima da média nacional. A operação desta quarta-feira é vista como uma resposta do governo estadual às pressões, especialmente após a série de ataques a ônibus e prédios públicos em setembro de 2024, atribuídos a facções rivais.

Especialistas em segurança pública, como o professor da Universidade Federal de Alagoas (Ufal), Carlos Alberto dos Santos, avaliam que a operação é positiva, mas insuficiente. “O combate ao crime organizado exige integração entre as polícias Civil, Militar e Federal, além de inteligência compartilhada. Ações pontuais, como essa, podem gerar resultados imediatos, mas sem uma estratégia de longo prazo, as facções se reorganizam”, afirmou Santos. A Polícia Civil informou que as investigações continuam e que novos mandados podem ser expedidos nos próximos dias.

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