A Polícia Civil de São Paulo prendeu mais três suspeitos nesta quarta-feira (26) pela morte de um jovem durante um salto de rope jump, ocorrido no último mês na região metropolitana do estado. A investigação, conduzida pelo Departamento de Homicídios e Proteção à Pessoa (DHPP), aponta para a possível destruição de provas e o desaparecimento de uma câmera que a vítima usava no momento do acidente, ampliando as suspeitas de negligência e omissão por parte dos organizadores da atividade radical.
Os novos detidos, cujos nomes não foram divulgados pelas autoridades, são acusados de envolvimento direto na adulteração do local do acidente e na ocultação de equipamentos de segurança. Segundo o delegado responsável, Carlos Alberto de Oliveira, as prisões ocorreram após análise de imagens de circuitos internos e depoimentos de testemunhas que indicaram a retirada de itens essenciais para a perícia, como a câmera de ação que registrava o salto. “A câmera era crucial para entender as circunstâncias exatas do acidente, mas ela sumiu logo após o ocorrido”, afirmou Oliveira em coletiva de imprensa.
Investigação revela possível destruição de provas
A morte do jovem, identificado como Lucas Mendes, de 22 anos, ocorreu durante um evento de rope jump organizado por uma empresa privada em um parque de aventuras na cidade de Itapecerica da Serra. A vítima sofreu uma queda fatal após o equipamento de segurança falhar, segundo laudo preliminar do Instituto Médico Legal (IML). A polícia já havia prendido dois suspeitos na semana passada, incluindo o proprietário da empresa, Ricardo Alves, e o instrutor responsável pelo salto, João Pereira. Agora, com as novas prisões, o número total de detidos chega a cinco.
O desaparecimento da câmera levanta suspeitas de que os organizadores tentaram encobrir falhas graves no procedimento. “A destruição de provas é um crime grave e pode agravar as penas dos envolvidos”, destacou o promotor Fernando Costa, do Ministério Público Estadual. A polícia também investiga se houve conluio entre os suspeitos para dificultar o trabalho pericial, incluindo a remoção de cabos e mosquetões do local.
Panorama político e impacto na segurança pública
O caso expõe fragilidades na regulamentação de atividades radicais em São Paulo, que carecem de fiscalização rigorosa por parte dos órgãos públicos. A Assembleia Legislativa do Estado de São Paulo (Alesp) já anunciou a criação de uma comissão para revisar as normas de segurança para esportes de aventura, após pressão de parlamentares da oposição e de entidades de defesa do consumidor. O deputado estadual Marcos Silva (PT) classificou o incidente como “uma tragédia anunciada” e cobrou ações imediatas do governo estadual. “Não podemos permitir que empresas operem sem fiscalização adequada, colocando vidas em risco”, afirmou Silva.
Enquanto isso, a Secretaria de Segurança Pública reforçou que a operação continua em andamento e que novas prisões não estão descartadas. A família de Lucas Mendes, representada pelo advogado Paulo Rocha, ingressou com uma ação civil contra a empresa organizadora, pedindo indenização por danos morais e materiais. O caso também reacendeu o debate sobre a responsabilidade civil e criminal de empresas que oferecem atividades de alto risco, especialmente em um contexto de crescimento do turismo de aventura no estado.
A polícia apreendeu documentos e equipamentos na sede da empresa, que serão analisados para determinar se houve violação de normas técnicas. A investigação deve ser concluída nos próximos 30 dias, segundo o DHPP. Enquanto isso, os suspeitos permanecem detidos no Centro de Detenção Provisória de São Paulo, aguardando audiência de custódia.
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