O prazo para os Estados Unidos decidirem sobre a aplicação de novas taxas sobre produtos brasileiros expira nesta quarta-feira (15). O governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) trabalha com o cenário de confirmação das tarifas e aposta que o governo americano determine um processo de implementação da decisão, além de uma lista de exceções para mitigar os efeitos. Até a noite desta terça-feira (14), segundo interlocutores da equipe de Lula, o governo brasileiro não havia recebido nenhuma sinalização da equipe de Donald Trump sobre a decisão final. Empresários brasileiros estão apreensivos com o desfecho, que pode impor tarifas de 25% sobre mercadorias nacionais.
Em 1º de junho, o governo americano concluiu uma investigação conduzida pelo Escritório de Comércio dos EUA (USTR, na sigla em inglês) que acusa o Brasil de adotar práticas que “oneram ou restringem” o comércio bilateral. Entre os itens citados estão desmatamento ilegal, pirataria e o sistema de pagamentos instantâneos PIX. Como resultado, o USTR propôs a aplicação de tarifas de 25% sobre mercadorias brasileiras. No dia seguinte, os EUA anunciaram taxas adicionais de 12,5% para 60 países por falhas no combate ao trabalho forçado, incluindo o Brasil. Em ambos os casos, uma longa lista de exceções foi apresentada para evitar uma alta de preços no mercado americano.
Reuniões técnicas e distanciamento diplomático
Nesta terça-feira (13), um dia antes do fim do prazo, equipes técnicas e de alto nível dos dois países se reuniram pela quinta vez para discutir a investigação sobre tarifas. Participaram do encontro representantes do Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (MDIC), do Ministério das Relações Exteriores (MRE), da Assessoria Especial do Presidente da República e o Representante de Comércio dos Estados Unidos, Jamieson Greer. Na reunião, o governo brasileiro reiterou que considera o tarifaço “injusto”. Na semana passada, em meio às tratativas, Greer afirmou que os dois países ainda estavam distantes de um acordo.
O panorama político geral é de tensão comercial entre as duas maiores economias das Américas. A decisão americana ocorre em um contexto de escalada protecionista global, com os EUA adotando medidas unilaterais contra diversos parceiros comerciais. Para o Brasil, o impacto pode ser significativo, especialmente para setores como o agropecuário, siderúrgico e de manufaturados, que dependem do mercado americano. A expectativa é que, caso confirmadas, as tarifas gerem retaliações brasileiras, como já sinalizou o presidente Lula, que afirmou que as taxas seriam respondidas “à luz da lei brasileira de reciprocidade”.
Precedente de 2025 e processo de implementação
Caso haja a confirmação da taxação, interlocutores do presidente Lula acreditam que a nova ofensiva de Trump contra o Brasil siga um processo de implementação semelhante ao ocorrido no ano passado. Em 9 de julho de 2025, ao justificar a elevação da taxa sobre o Brasil, o republicano citou Jair Bolsonaro e disse ser “uma vergonha internacional” o julgamento em andamento do ex-presidente no STF. Vinte e um dias depois, em 30 de julho, Trump assinou um decreto oficializando a imposição de uma tarifa adicional de 40%. Agora, o governo brasileiro aposta que a nova decisão também terá um período de transição e uma lista de exceções para evitar um choque imediato no comércio bilateral.
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