O ex-governador de Minas Gerais e pré-candidato à Presidência Romeu Zema (Novo) afirmou, nesta segunda-feira (6), que o também pré-candidato Renan Santos, do partido Missão, “não teve uma experiência na gestão pública” e “sai dando tiro como metralhadora, prometendo mundos e fundos”. A declaração foi dada durante entrevista ao vivo ao canal do YouTube “Derrubando Muros”, em meio à acirrada disputa pela chamada terceira via, que busca se consolidar como alternativa aos favoritos Lula (PT) e Flávio Bolsonaro (PL).
Zema, que renunciou ao cargo de governador em abril deste ano para se dedicar à campanha presidencial, disse tratar a ascensão de Renan Santos com naturalidade. “Estamos numa democracia. Todos têm direito de ser candidatos”, afirmou. Ele ponderou, no entanto, que as pesquisas que destacam o adversário são majoritariamente feitas pela internet, o que difere da amostra da população brasileira. “Na hora em que se pega outras pesquisas, o resultado é diferente”, completou.
Dados da pesquisa Quaest divulgada em 10 de junho reforçam a polarização: Lula lidera com 39% das intenções de voto, seguido por Flávio Bolsonaro (29%). Renan Santos aparece com 3%, empatado com Ronaldo Caiado (PSD), enquanto Romeu Zema registra 2%. A margem de erro é de dois pontos percentuais.
Trajetórias e propostas em contraste
Durante a entrevista, Zema traçou um paralelo entre sua trajetória e a de Renan Santos. “Ele, como não teve uma experiência na gestão pública, sai dando tiro como metralhadora, prometendo mundos e fundos. Um histórico de entrega e currículo de entrega me parece que falta a ele”, disse. “Tudo que um político fez no Brasil parece estar errado para ele. Quando ele estiver do outro lado do balcão, aí as coisas mudam.”
Renan Santos, de 42 anos, é fundador do Movimento Brasil Livre (MBL), grupo que surgiu em novembro de 2014 e cresceu impulsionado pelas redes sociais. Em 2016, o MBL liderou manifestações pelo impeachment da então presidente Dilma Rousseff (PT). Entre as propostas do pré-candidato estão a implementação da pena de morte para combater o crime organizado e uma reforma do Judiciário para restringir o Supremo Tribunal Federal “ao papel de Corte Constitucional”.
Já Romeu Zema, de 61 anos, foi empresário antes de ingressar na política. Ele derrotou Antonio Anastasia (PSDB) no segundo turno de 2018 com mais de 70% dos votos e foi reeleito em primeiro turno em 2022. Renunciou ao cargo em abril de 2025 para se candidatar à Presidência.
Terceira via e desafios históricos
Tanto Renan Santos quanto Romeu Zema apostam na “terceira via”, ou seja, em uma alternativa entre Lula (PT) e Flávio Bolsonaro (PL). No entanto, um levantamento do g1 com dados do Tribunal Superior Eleitoral (TSE) mostra que, desde a redemocratização, candidatos que se apresentaram como uma alternativa não conseguiram romper com o padrão que divide os votos da população entre duas candidaturas antagônicas. O cenário atual, com a polarização consolidada, impõe desafios adicionais a esses pré-candidatos, que buscam conquistar o eleitorado insatisfeito com os dois principais polos.
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